When I was young, it seemed that life was so wonderful, a miracle, oh it was beautiful, magical. And all the birds in the trees, well they'd be singing so happily, joyfully, playfully watching me. But then they send me away to teach me how to be sensible, logical, responsible, practical. And they showed me a world where I could be so dependable, clinical, intellectual, cynical.
There are times when all the world's asleep, The questions run too deep for such a simple man Won't you please, please tell me what we've learned I know it sounds absurd but please tell me who I am
Now watch what you say or they'll be calling you a radical, liberal, fanatical, criminal. Won't you sign up your name, we'd like to feel you're acceptable, respectable, presentable, a vegetable!
At night, when all the world's asleep, The questions run so deep for such a simple man Won't you please, please tell me what we've learned I know it sounds absurd but please tell me who I am
¶ Thursday, November 30, 20061 Comments
Wednesday, November 29, 2006
aniversário bem feliz mesmo. almoço com os amigos. torta com os amigos. jantar com amigos e família. bolo com amigos e família. gente que eu amo. cd de tomaz. poster de babi. risadas com a pi. telefonemas de gente próxima, e de gente que tá bem distante agora. gente que me deixa com sorriso na cara. planos pra dezembro.
Amanhã eu completarei 27 anos. Como todos os anos, paro pra pensar no que foi o último ano, em termos de acréscimo à minha limitada e irrelevante existência. Todos os anos eu costumo fazer uma listinha (ainda que puramente mental) dos ganhos e perdas, e dos processos em que me vejo como parte.
Este ano não. Este ano eu toco.
Não quero pensar mais sobre o que perdi; está perdido, impossível ser consertado.
Não quero pensar mais sobre o que ganhei; ainda está em um doloroso processo de consolidação.
Não quero pensar mais sobre o que busquei, ou esperei, ou projetei; dei sempre para portas fechadas em longos corredores.
Porra, como foi um ano difícil, viu? Atribulado, cheio de vai-vens, cheio de "e se", cheio de emboscadas, cheio também, por que não, de descobertas. Um ano cheio, e que ficou tão vazio, no fim das contas.
Eu estou cansada. Aos 27 anos, eu já estou cansada, isso não parece absurdo? Eu deveria estar cheia de planos, deveria estar construindo cidades invisíveis, deveria estar profundamente grata pelas maravilhas da minha vida. Mas tudo isso só me deixa ainda mais cansada. E me dá vontade de rezar.
Já sei o que quero ganhar de presente de aniversário: paz. Eu quero paz. Eu quero paz. Eu quero paz. Eu mereço paz.
Tem dias, como hoje, em que me pego pensando sobre os fatores que limitam (e por que não dizer condicionam) a produção literária. Para ficarmos em um universo bem restrito e prosaico, por que é que eu me disponho a publicar (aqui ou no vacatussa, ou em algum jornal ou outro site) um texto qualquer, e em relação a outros em prefiro o bom e velho teste da gaveta? Vejam bem, não se trata de uma questão de "qualidade", que, feita pelo autor minimante autocrítico, deve logicamente anteceder qualquer exposição de suas idéias. O que pergunto é: supondo que eu considere dois textos igualmente bons (ainda que nenhum deles venha, de fato, a sê-lo), por que é que um deles permanece nos meus arquivos, enquanto o outro é comunicado? Será uma espécie de proteção? A quem eu busco agradar quando faço esse tipo de escolha?
¶ Monday, November 27, 20061 Comments
Sunday, November 26, 2006
Porra, como é bom ir pra um sambão.
Ontem vi Del Rey e Monobloco. Os shows de Del Rey são diversão garantida (ainda me lembro daquele memorável no Clube das Pás), todo mundo cantando Robertão e expressando sentimentos. Tem algo de poético em dançar e cantar Detalhes abraçada com a latinha de cerveja... especialmente se você estiver rindo de si mesma, e ainda mais especialmente se sua melhor amiga estiver ao lado, abraçada com a latinha dela também.
E eu não conhecia Monobloco, mas adorei aquele sambão-funk-batidão. Já me senti no sambão anual do Acho é Pouco e no sábado de carnaval na escadaria do MAC.
Hoje meus amigos fizeram uma festinha surpresa pra mim no curso. Inacreditavelmente, eles encheram uma das salas de bolas, com direito a torta de chocolate, vários docinhos e salgadinhos, pipoca, e... sacolinhas de doces. Isso mesmo. Sabe aquelas sacolinhas de festa infantil, cheias de pirulito, balinhas e outras guloseimas? Sim, senhor. A minha era da bailarina, cor de rosa. Tudo bem organizado e feliz.
Então ganhei, ao comemorar (quase) 27 anos, uma festa infantil. Outra, porque já tinha feito uma da Pequena Sereia pra comemorar por 21 anos. Depois eu boto uma foto.
Tem coisa melhor no mundo, especialmente quando você acorda descabelada e desarrumada às 6 da manhã, do que descobrir amigos e pessoas incríveis nos lugares mais absurdos? Do que olhar em volta e ver que está cercado (até quando menos se espera) de gente boa, e generosa, e com vontade de celebrar a vida? Viram que as previsões estão certas? Sempre vai haver gente maravilhosa no mundo; elas estão em todos os lugares, esperando para serem conhecidas. Basta ter pouco medo (porque não dá pra não ter medo algum), e se dar um tantinho. Alguma coisa eu devo estar fazendo certo. Ou então eu sou uma pessoa de muita sorte.
Olha, eu nunca acreditei em horóscopo, não. Na verdade, nunca os entendi. Mas desde ontem chovem previsões internáuticas de que minha vida, a partir de agora, vai virar torta de morango com marshmellow. Já estava na hora.
Em todos os sites que pesquisei, o negócio dizia mais ou menos assim: você, que andava com um nuvem preta por sobre a cabeça, pode se preparar que amanhã Júpiter (ou o Sol, dependendo da fonte) vai sair da casa numseique e vai entrar numseionde, e vocês de sagitário vão arrasar. Resumindo, era mais ou menos isso. Eu vou ter sorte, amor, saúde, dinheiro, sexo, drogas, rock n roll. Yippiee!!!
Ao menos foi isto o que eu, ignorante, consegui concluir de palavras misteriosas como "Seu regente Júpiter, que por meses andou iluminando e expandindo sua espiritualidade, ensinando a você a arte de renunciar e de se movimentar na precariedade do incontrolável, se despede de Escorpião. A partir de amanhã ele ingressa em seu signo e isso é a noticia mais feliz deste ano." (do site do uol).
Vou passar a acreditar em horóscopos a partir de manhã e serei a mulher mais feliz do mundo (isso considerando que plutão não volte a ser planeta, claro).
¶ Thursday, November 23, 20063 Comments
Ainda no mote relação otária x mau-caráter (i.e. homem x mulher ou vice-versa) ou Quem foi mesmo que disse que em toda relação há sempre um folgado e um trouxa?
Recebi esse email engraçadinho de um amigo e deu uma vontade danada de dividir com vocês, meus 3 leitores (um[a] que entenderá perfeitamente tudo porque já viu todos os sinais das minhas costas, outro[a] que de vez em quando deixa uma mensagem anônima, ou sob pseudônimo, e você, aquele[a] terceiro[a] que lê mas fica na moita).
Com minha larga experiência em casamentos, descasamentos, períodos solitários, roubadas e afins, atesto que é tudo verdade:
APELIDOS Se Adriana, Silvana, Débora e Luciana vão almoçar juntas, elas chamarão umas às outras de Dri, Sil, Dé e Lu. Se Leandro, Carlos, Roberto e Sergio saem juntos, eles afetuosamente se referirão uns aos outros como Gordinho, Cabeção, Mago e Bufento.
COMENDO FORA Quando a conta chega, Paulo, Carlos, Roberto e João jogam na mesa R$20,00 cada um, mesmo sendo a conta apenas R$32,50. Nenhum deles terá trocado e nenhum vai ao menos admitir que quer troco, logo o troco será convertido em saideiras. Quando as garotas recebem sua conta, aparecem as calculadoras de bolso e todas procuram pelas moedinhas exatas dentro da bolsa.
FILMES A idéia que uma mulher faz de um bom filme é aquele em que uma só pessoa morre bem devagarinho, de preferência por amor. Um homem considera um bom filme aquele em que muita gente morre bem depressa, se possível com balas de metralhadora ou em grandes explosões..
DINHEIRO Um homem pagará R$2,00 por um item que vale R$1,00, mas que ele quer. Uma mulher pagará R$1,00 por um item que vale R$2,00, mas que ela não quer.(verdade absoluta)
CASAMENTO Uma mulher costuma não se lembrar por que se casou com seu primeiro marido. Um homem costuma não fazer idéia de por que sua terceira mulher se divorciou dele.
BANHEIROS Um homem tem seis itens em seu banheiro : escova de dentes, pente, espuma de barbear, barbeador, sabonete e uma toalha de motel. A quantidade média de itens em um banheiro tipicamente feminino é 756. Um homem não consegue identificar a maioria deles.
DISCUSSÕES Uma mulher tem a última palavra em qualquer discussão. Por definição, qualquer coisa que um homem disser depois disso é o começo de outra discussão.
FUTURO Uma mulher se preocupa com o futuro até conseguir um marido. Um homem nunca se preocupa com o futuro até que consiga uma esposa.
MUDANÇAS Uma mulher casa-se com um homem esperando que ele mude, mas ele não muda. Um homem casa-se com uma mulher esperando que ela não mude, mas ela muda. (Essa realmente é indiscutivelmente verdade...)
DIVIDINDO Uma mulher dividirá seus pensamentos e sentimentos mais profundos com um completo estranho que lhe dê atenção. Um homem dividirá seus pensamentos e sentimentos mais profundos apenas quando questionado por um advogado, sob juramento e mesmo assim apenas quando isso puder diminuir a sua pena. Ou então quando ele arruma uma mulher de verdade (essa frase foi acréscimo meu)
¶ Thursday, November 23, 20062 Comments
Dé, acho que Tati Bernardi ouviu nossa conversa sobre emos e CPORs e homens muito educados.
Porra, oráculo, tá vendo que o problema não é só comigo?
Eu vou virar lésbica. A merda é que eu adoro homem de barba.
"Outra opção é uma baladinha sem peruas e playbas. Mas essas outras opções indies quase sempre são GLS, o que dificulta em muito as minhas chances de arrumar, ao menos hoje, um homem que não saiba dançar imitando peixinhos fosforescentes. Socorro. Não, tô com muita preguiça de sair de casa. Homem bem que podia funcionar como um disque-pizza para dias chuvosos. Ex-namorados e ex-casos são perfeitos para serem entregues em casa, fora que dispensam conversas e preliminares, dada a intimidade de outros tempos. Mas tô defasada até nesse quesito. Tirando a grande maioria deles, para quem nem vale a pena ligar porque eram meia-boca sexualmente, a pequena parte que sobra vale menos que o meu dedinho mindinho do pé. E pelo visto vou continuar com o meu dedo mesmo.
E a opção amigos?…Não, não vai dar certo. A última vez que um grande amigo com potencial para me comer me visitou, terminamos a noite chorando por amores do passado e fazendo piadas escatológicas. Amigo não dá, não tem mistério, não tem charme. Existe homem-ombro pra te consolar e existe homem-pinto pra te comer. Lembra da piada “não existe pôr só a cabecinha porque pinto não tem ombro”? É a mais pura verdade. Alguns até se fazem de amigos, mas espera você liberar a periquitinha pra ver o que acontece. Amigo é o cacete! É, o cacete é amigo mesmo. Ai, preciso dar urgente.
Já sei! Vou apelar para meus fãs! Sim, recebo toda semana dezenas de e-mails de fãs homens. Quase sempre leitores da VIP, ou do meu site, ou do Blônicas, da TPM, da Viagem e Turismo. Nessas horas é bom escrever para vários lugares, aumentam as chances de aparecer um leitor bem-apessoado e mal-intencionado. O problema é que 80% dos homens que me escrevem acreditam que, por estarem se comunicando com uma escritora, precisam se mostrar ultra intelectualizados, ultra alfabetizados e ultra prolixos. Como é que eu vou ter vontade de liberar para um cara que me escreve infindáveis 456 linhas que quase sempre começam com: “Vós não imaginais o imensurável prazer trêmulo com o qual este macambúzio leitor vos escreve pulsantes idílios”. Esse cara não faz sexo, faz? Os outros 10% (esses sim, sobretudo leitores da VIP) são o extremo oposto disso, o que também não me interessa. São aqueles ogros irados ao estilo “gatinha molhada, vou colar na sua goma hoje pra gente fazer uma sacaneta”. Pega no meu pau, seu machista analfabeto! Tem ainda uns malucos que odeiam as minhas baixarias e me mandam encontrar o senhor. Que senhor? Esse senhor faz sexo? " (de Tati Bernardi, "a vontade e um dedinho de prosa")
¶ Thursday, November 23, 20063 Comments
Wednesday, November 22, 2006
Falando em oráculos...
"O mundo não seria tão divertido se não existissem os sagitarianos. Donos de um senso de humor enorme, são capazes de fazer qualquer um se animar em qualquer situação. Vendo o lado alegre e belo da vida podem animar as pessoas contando suas aventuras, mesmo num velório, a não ser que seja de seu melhor amigo, e ele considera todos assim. Neste caso é capaz de chorar tão alto e agarrar no caixão com tanta força que todos pensarão que o falecido era seu amigo de infância e que convivia todos os dias com ele, mas conheceu há poucas semanas. Nenhuma figura mitológica representa tão bem o Sagitário como o centauro, metade homem metade cavalo. De um lado um ser racional que filosofa sobre a vida e faz de tudo para que a lei seja obedecida, e de outro tão abrutalhado que é capaz de comprar uma briga fazendo voar cadeiras para todos os lados. É... eles são meio escandalosos, exagerados e estabanados.
Extremamente francos, sempre prezam a verdade, mesmo que ela seja inadequada para o momento, o que os faz passar por inconvenientes em algumas situações. Sempre prontos a conhecer novas coisas na vida, eles esperam que todos tenham essa mesma disposição. Aventureiros e livres que são, é impossível segurá-los quando se decidem a viajar e conhecer outros mundos. Fome... como têm fome esses sagitarianos. Comem qualquer coisa, desde arroz, feijão e ovo frito (claro que um prato enorme) até sopa de rinoceronte rosa da Iugoslávia, e eles adoram comidas exóticas, desde que sejam em quantidade, e melhor ainda se forem típicas de países distantes. Sagitarianos são eternos gozadores, mesmo quando estão brigando. Assistir uma briga em que eles estejam participando é o mesmo que assistir uma comédia italiana, com sacadas geniais e um humor ferino terrível, antes de começarem a voar pratos e cinzeiros. Depois disso são capazes de chamar o adversário, todo arrebentado, para tomar uma cerveja para esquecer as diferenças, desde que sua opinião tenha sido aceita.
Eles se acham donos da verdade e discutem horas só para convencer as pessoas sobre um ponto de vista seu. Conhecem um pouco de tudo, o que os torna capazes de fazer qualquer bico, e em muitas vezes de forma “provisória-permanente”. Dinheiro.... como gastam dinheiro. Consumistas por natureza não conseguem conter seu impulso de comprar, qualquer coisa, uma de cada cor e de cada modelo. Mas eles têm sorte e sempre arranjam dinheiro, nem que for em jogo, que por sinal eles podem adorar. São ótimos esses seres de Sagitário. E não é pra menos : quem rege este signo é nada mais nada menos que Júpiter, o maior planeta do sistema solar, Zeus para os gregos, deus dos deuses, sendo tão bons e violentos quanto ele. Ser amigo de um sagitariano é ser o melhor amigo dele, mesmo que você não queira.
Crédulos e ingênuos, costumam se decepcionar com aquele seu melhor amigo que conheceu numa viagem no último final de semana e que pediu dinheiro emprestado e não devolveu. Mas tudo bem. Depois de reencontrá-lo e cobri-lo de porrada ele ainda vai chamá-lo para tomar uma cerveja e relembrar os velhos tempos, mesmo que estejam completando três semanas de amizade."
¶ Wednesday, November 22, 20060 Comments
Dia desses descobri que existe o yahoo questions, que é um mecanismo de pesquisa onde você pode simplesmente digitar uma pergunta e esperar pra ler a resposta em alguns dias. Entendo que o propósito do programa é demonstrar que pra maioria das perguntas sempre há uma resposta simples. Lá você pode perguntar, por exemplo, desde dúvidas prosaicas como "how did cats and dogs become domesticated animals? " e "can you make lasagna in toaster oven?" até questionamentos existenciais, a la "Do fetuses have souls?" (veja também: I got married in August how long should I wait before having kids?).
Em síntese: banalizaram o oráculo. Porra, logo o oráculo? É tão confortável a idéia de que alguém (que não você) sempre terá a resposta pra tudo que foi por isso que os homens estabeleceram ritos e formalidades para que fosse legítima a consulta ao oráculo. Do contrário viarava festa. Aí vieram as vestais e as cerimônias de libação, se não me engano. Consultar o oráculo era um privilégio a pouquíssimos deferido. E agora qualquer idiota como eu pode perguntar qualquer coisa e obter a resposta em poucos dias. Nem precisa matar um cabrito.
Pois bem. Já que é assim, estudo fazer a pergunta que mais tem atormentado as mulheres da minha faixa etária e que são dotadas de mais de cinco neurônios: onde estão os homens interessantes desse mundo? Eles foram abduzidos por alienígenas? Tiveram seus cérebros derretidos pelos videogames? Fumaram maconha demais? Fundaram uma Atlântida subaquática porque não aguentavam mais as ladainhas da TPM ("eu tô bonita? tô gorda? você ainda gosta de mim?")? Estão dormindo quinze horas por dia?
O caso está ficando sério. E o pior é que quando o problema não é com o cara, é claramente comigo, ora. Aí eu fico me achando feia, gorda e desamada (isso existe? ou é unloved?). Eu e as demais mulheres com mais de cinco neurônios. Até Luciana, pô. Quando uma pessoa parece com Angelina Jolie e acorda de manhã se sentindo feia é porque a situação é caótica.
AMONG the men and women, the multitude, I perceive one picking me out by secret and divine signs, Acknowledging none else—not parent, wife, husband, brother, child, any nearer than I am; Some are baffled—But that one is not—that one knows me.
Ah, lover and perfect equal! I meant that you should discover me so, by my faint indirections; And I, when I meet you, mean to discover you by the like in you.
Essa coisa de crescer é curiosa. Durante toda a faculdade, eu odiava direito penal e processo penal. Nunca aprendi. As professoras me pareciam malucas e neuróticas, e acho que isso, juntamente com a preguiça mental de tentar entender a lógica de um sistema totalmente fora da minha realidade, fez com que eu evitasse essas disciplinas. Todas as vezes que alguém dizia "ah, faz tal concurso", eu já retrucava "ih, não, cai penal!". O fato é que eu me formei sem saber bulhufas de direito penal.
Aliás, eu me formei sem saber bulhufas de porra nenhuma mesmo. Eu gostava de direito civil e filosofia do direito, e tive a cara de pau de prestar o exame da OAB para civil (pra quem não é da área: fazer isso é considerado uma loucura, porque é a mais ampla das disciplinas), só porque penal era muito chato, mesmo que fosse (em tese) muito mais fácil.
E o fato é que esse ano, quando eu resolvi estudar, logo percebi que teria que estudar penal, assim como direito do trabalho (que eu também sempre detestei). Bem, quanto ao trabalhista, parece que o problema está meio que remediado, porque já provei pra mim mesma que podia aprender, com alguma dedicação, ainda que capenga. Cumpri minhas metas nos concursos da justiça do trabalho e do MPT; para além de minhas expectativas, aliás.
Falta aprender penal e processo penal. Prometi a mim mesma que leria os livros de cabo a rabo. Eu me devo essa superação do problema. E o fato é que agora eu sempre tenho a estranha vontade de estudar penal, como se eu ficasse feliz em me esforçar para superar uma falha. Minha terapeuta chama isso de "tapar buracos passados". Eu chamo isso de restaurar a confiança em mim mesma.
Tudo isso pra dizer que meu pai estava certo ao nos educar: ele sempre disse, aos três, repetidas vezes, que qualquer um de nós é capaz de aprender qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Ele dizia que se a gente quisesse ser astronauta, era só uma questão de disciplina pessoal e dedicação. Que éramos tão capazes de realizar qualquer coisa quanto qualquer outro ser humano. Eu sempre critiquei isso dele, achando que essa ladainha nos fez crianças responsáveis demais, exigentes demais, duras demais consigo mesmas. Quando levávamos nossos boletins perfeitos, papai nunca nos louvava, ele simplesmente dizia "está vendo como você conseguiu melhorar a nota?" ou então perguntava a razão pela qual minhas notas dez em redação e história não se repetiam em matemática e física. Eu achava isso cruel, o que nos levou a vários desentendimentos e a uma coleção de mínimas mágoas. Achava que ele queria que fossemos perfeitos.
Hoje vejo que ele acertou; eu é que não entendia que ele nunca nos cobrou perfeição. Ele sempre trabalhou para fortificar nossa auto-confiança. O que ele sempre quis (e conseguiu) foi que seus filhos soubessem que eram capazes de fazer e ser qualquer coisa que escolhessem e a que se dedicassem. Dia desses ele resumiu assim: "eu quero que você seja a melhor aline que puder ser". Então eu compreendi: não se tratava de um dever de excelência em comparação aos outros, mas um hábito de fidelidade ao que escolhemos ser, ao melhor que pudermos fazer. Ele acertou, apesar de tudo.
Mesmo que para mim, nesse exato momento, exercitar minha capacidade de superação seja algo tão simples e banal quanto aprender direito penal.
¶ Saturday, November 18, 20062 Comments
Friday, November 17, 2006
Aí hoje fui fazer meus exames cardiológicos. Nunca tinha ido num cardiologista. Marquei pra um médico que é amigo dos meus pais, nosso vizinho, que me conhece desde que eu tinha 12 anos.
Então fiz o ECG, o que já me deixou tensa. Depois, deitada lá na maca enquanto ele ouvia os batimentos, percebi que ele estava passando tempo demais escutando um simples tumtumzinho - i.e. tinha alguma coisa errada. Ele ia e voltava, fechava os olhos, tentava visivelmente se concentrar pra escutar melhor em diferentes posições. Mandou eu respirar assim e assado. Fui ficando gelada; ele percebeu, me tranquilizou: não era nada demais, era só que tinha um soprinho comum... MAS... no meu caso... ele escutava em outro lugar! Como assim? Assim: "eu normalmente escuto o barulhinho quando escuto aqui, nesse ponto, e não aqui do lado... mas é porque você é muito magrinha".
Quase que eu dizia: Ah, Dr., eu já esperava; é que meu coração está quebrado aí do lado mesmo.
Comentei que pensaria duas vezes antes de ir de novo ao cinema num shopping em noite de domingo/feriado. É que a ubiqüidade de casais felizes é irritante.
Ao que Dra. Loulou respondeu: "mas Aline, esse é justamente o ponto: a grande maioria desses casais nem é, nem está, feliz". Um ótimo "te liga".
¶ Thursday, November 16, 20061 Comments
Volver. Que coisa boa é ver Almodovar voltando ao seu território preferido: o universo feminino. Pouquíssimos cineastas compreendem tão bem as sutilezas e as peculiaridades das relações entre as mulheres. Não é fácil fazer um filme sobre mulheres. Uma coisa é botar um monte de mulher no roteiro, traçar algum caminho pseudosentimentalóide e fingir que está entrando nos dilemas hormono-materno-menstruais. Outra coisa bem diferente é o que Almodovar faz: a diferença talvez esteja na candura.
¶ Thursday, November 16, 20062 Comments
Wednesday, November 15, 2006
Love, Actually
Enquanto eu via aquele filme do Vôo 93, tinha dois pensamentos recorrentes: o primeira era a música "if tomorrow never comes", e o segundo era essa cena de love actually.
¶ Wednesday, November 15, 20061 Comments
Tuesday, November 14, 2006
Meus pais me perguntaram o que eu gostaria de ganhar de aniversário. Pela primeira vez em 27 anos, eu disse que não tinha a menor idéia.
Lost. Eu devo ser uma das 20 pessoas no mundo que odeiam Lost. Acho chato, acho babaca, não vejo graça nenhuma e caio no sono nos primeiros quinze minutos. Tava lendo no blog de Sil, e ela tem razão: Lost é tipo Lagoa Azul, só que é mucho loco e ninguém aparece pelado, o que é uma pena, com um cara como aquele Sawyer dando sopa.
Mas eu odeio mesmo. Vi só uns 2 episódios, acho, e nunca mais consegui me forçar a ver de novo. Pelo que percebi, não tem humor. Os personagens não são nem um pouco carismáticos. Não dá pra se relacionar com a trama (como é? tem um acidente de avião, uma ilha, uma francesa louca, uns canibais, aí de repente chega Rodrigo Santoro do nada?). E qual é o grande mistério disso tudo??? O mistério pra mim seria "como é que eu faço pra me perder numa ilha com Rodrigo Santoro e Sawyer?".
Já me disseram que o bom da série é que tudo é extremamente bem concatenado e amarrado. Sei não. Vai ver é antipatia gratuita mesmo. Não gosto. Não quero gostar. E tenho raiva de quem gosta, só pra completar.
¶ Tuesday, November 14, 20062 Comments
Monday, November 13, 2006
Resolvi me dar um bom presente: o Crônicas da Província do Brasil, de Manuel Bandeira. O livro é lindo (Cosac Naify, como sempre), com um cheirinho que lembra um descansar na rede. Comecei a lê-lo hoje, como uma compensação à minha languidez, e parece estar funcionando. Quero escrever sobre ele pro site do Vacatussa. Poucas coisas me apaixonam tanto quano a linguagem doce e sentimental de Bandeira e as historinhas que ele conta sobre o Recife e sobre outras cidades deste país que conheço tão mal. Foi um ótimo presente, indeed.
"Esse mês que acabo de passar no Recife me repôs inteiramente no amor da minha cidade. Há dois anos atrás, quando a revi depois de uma longa ausência, desconheci-a quase, tão mudada a encontrei. E sem discutir se essa mudança foi para melhor ou para pior, tive um choque, uma sensação desagradável, não sei que de despeito ou mágoa. Queria encontrá-la como a deixei menino. Egoisticamente, queria a mesma cidade da minha infância."
¶ Monday, November 13, 20060 Comments
Sunday, November 12, 2006
Nunca a alheia vontade, inda que grata, Cumpras por própria. Manda no que fazes, Nem de ti mesmo servo. Ninguém te dá quem és. Nada te mude. Teu íntimo destino involuntário Cumpre alto. Sê teu filho.
and when i see you kitten as a cat yeah as smitten as that i can't get that small the way you fur the how you purr it makes me want to paw you all and when i see you happy as a girl that lives in a world of make-believe it makes me pull my hair all out to think i could've let you leave
Em uma cidade como Recife, a gente acaba conhecendo muita gente. Sempre tem alguém que trabalha com algum amigo seu, ou que você conhece da aula de dança, ou que é irmão de uma amiga da sua vizinha. Em qualquer lugar onde você for, as chances de encontrar alguém conhecido (ou alguém que conheça você) são enormes. Chega a ser por vezes irritante.
Mas me pego pensando... por que é tão difícil realmente se conectar? São tão raras as vezes na vida em que você encontra alguém que funciona na mesma frequência que você, alguém com quem você simplesmente gosta de passar tempo, alguém cuja presença e proximidade sejam naturais e enriquecedoras, alguém com quem você não tenha que usar máscaras, ou fazer muito esforço. Alguém que permita que você seja, somente, você mesmo. É difícil pra cacete. Alguém que o(a) torne, pelo simples fato de existir, uma pessoa melhor.
E no entanto, quando acontece, meus amigos, quando ocorre esse pequeno milagre, sempre existem as outras coisas. A você, restam apenas duas opções: se contorcer todo pra que essas outras coisas se acomodem, pro bem ou pro mal (e do jeito que der), sob o peso de sua resolução, ou torcer pra que o prodígio imponderável se repita, e se fechar num casulo.
¶ Friday, November 10, 20060 Comments
Thursday, November 09, 2006
Vou dar de presente à minha irmã sua bata pra faculdade. Fiquei ontem olhando pra ela, tentando imaginá-la sendo chamada de "doutora" e costurando pessoas no HC, e imediatamente pensei que tinha algo errado: é minha baby sister, pô, eu troquei fraldas dela, ela quebrou minha barbie; é impossível que ela agora frequente aulas de anatomia e em breve esteja cuidando de pessoas doentes.
olha, fazia MUITO tempo que eu não ouvia algo tão estranhamente feliz-dançante-pra-cima-overthetopgay como Scissor Sisters.
ok, ok, eu adoro Elton John, e isso já é meio caminho andado.
Desafio qualquer um a escutar essa música (o link abaixo tem a a letra e o video) e conseguir não ter vontade de se acabar de dançar e ser muito muito feliz, mas muito feliz MESMO:
Don’t feel like dancin’, dancin’ Even if i find nothin' better to do Don’t feel like dancin’, dancin’ Why’d you break down when I’m not in the mood? Don’t feel like dancin’, dancin’ Rather be home with no one when I can't get down with you
Cities come and cities go just like the old empires When all you do is change your clothes and call that versatile. You got so many colours make a blind man so confused Then why can’t I keep up when you’re the only thing I lose?
So I’ll just pretend that I know which way to bend And I’m gonna tell the whole world that you’re mine. Just please understand, when I see you clap your hands If you stick around I’m sure that you’ll be fine.
Uma das melhores coisas de ter passado em um concurso é poder voltar a estudar francês. Já estou animada só de pensar na retomada das aulas no começo do ano; fiz, inclusive, a assinatura na lista do monde diplomatique, vou me disciplinar a ler diariamente o le monde e fazer os exercícios da gramática. Penso em contratar François para umas aulas particulares antes da volta às aulas. Sabe como é, pra tirar a poeira.
Das últimas vezes em que inventei de falar francês, até que saiu alguma coisinha. Claro que com alguma ajuda alcoólica. Sempre me sinto ridícula falando francês, embora todo mundo diga que minha pronúncia é decente. Vai ver eu fico esperando que o francês saia como o inglês sai, e sei que isso nunca acontecerá. Sei lá, talvez porque nunca me dediquei a estudar, com método. Eu sempre tinha que faltar aulas, e ainda teve o divórcio no meio de tudo, acho que meu aprendizado ficou partido.
Assim, na onda de fechar ciclos, voltarei aos exercícios de francês. Do mesmo jeito que estou fechando o ciclo estudando o que nunca estudei na faculdade (só agora vejo que nunca cursei Direito, olha só!). Minha terapeuta cobra essas gestalts, vocês nem imaginam.
Quinta-feira me peguei considerando seriamente a possibilidade de comprar um par de sapatos numa loja do Plaza. Nada fora do normal, evidentemente, senão pelo fato de que atualmente tenho TRÊS pares novinhos, jamais usados, no guarda-roupa. Três pares que nunca saíram de seus saquinhos.
Isso mesmo. Eu admito que tenho um problema com sapatos. Tenho-os aos montes. De várias cores, novos, velhos, chiques, chinelos, de marca, de borracha. Muitos. É um problema velho. Quando recebi meu primeiro salário, minhas primeiras compras foram um livro sobre arte medieval na sodiler e um par de botas na forum. Houve uma época em que eu e loulou comprávamos sapatos iguais, só pra abusar mesmo. Quando me sinto triste, ou quando me sinto especialmente feliz, compro sapatos. Perdi a conta de quantos foram esse ano. E olha que eu não sou escrava de shopping, não! Raramente saio a fazer compras!
É claro que eu sei que há algo de muito estranho nesse tipo de comportamento; vejo, nitidamente, que ele revela um mecanismo de compensação defeituoso. Mas todos nós não os temos, esses truquezinhos que servem para enganar o apetite? Claro que você também tem, ora. Pode até não ser sapatos; pode ser roer unhas, por exemplo, ou manifestar perigosa propensão ao workaholism. Todo mundo se esconde.
Pensei, pensei e resolvi não comprar os sapatos. Nem experimentei, pra não dar corda ao diabo. Mas que permanece um sentimento de incompletude, ah, esse sim eu sinto aqui.
¶ Monday, November 06, 20060 Comments
Saturday, November 04, 2006
A noiva estava de preto. Nunca tinha visto este filme; aliás, há somente uns poucos anos conheci Truffaut. Bem, tendo a comparar todos os seus filmes a “O homem que amava as mulheres”, meu favorito. Acho que o que chegou mais perto foi “A noite americana”, mas ainda assim...
Então. A noiva estava de preto. Acho que o que mais me chamou a atenção neste filme foram as semelhanças a Kill Bill (é sempre bom brincar de iconoclasta). Claro que o filme de Tarantino tem Uma Thurman kicking ass, e tem uma vibração juvenil única. Mas gosto, nos dois filmes, da idéia da mulher vingadora de coração partido. Ambas as heroínas têm uma moral muito própria, agem não de modo cego pela raiva; têm método (as cadernetas...), são disciplinadas, e se alimentam da raiva.
A de Truffaut alterna o branco e o preto, como se não soubesse bem se pertence ao mundo do luto ou da vida. A de Tarantino fixou a imagem do amarelo ouro, como se celebrasse a força, antes de qualquer coisa.
Tenho duas pendências cinematográficas, ambas de um dos meus cineastas preferidos de todos os tempos: Antonioni. Vejo uma beleza sem comparativo nas suas imagens (como era mesmo o nome do seu fotógrafo... tonino??), uma espécie de melancolia difusa que me parece retratada perfeitamente na beleza forte de Monica Vitti, ou de Vanessa Redgrave em Blow up.
Mas nunca consegui ver nem Deserto Vermelho (e este título pra mim é tão lindo que já fiz um poema usando a imagem para compará-la a alguém) nem Profissão Repórter.
Alguém sabe se estão na fila dos próximos lançamentos em DVD?
"E meus gatos, envolvidos em um ritual que remonta a milhares de anos, se lambem tranquilamente depois da refeição. Animais práticos, preferem que outros lhe forneçam a comida... alguns conseguem. Deve ter ocorrido uma divisão entre os gatos que aceitaram a domesticação e os que não aceitaram."
eu tenho um amigo muito amado, mas que mora muito longe. hoje nos demos conta de que mantemos contato há 10 anos. ocasionalmente, trocamos emails ou telefonemas; ele sempre se preocupa com meu estado geral e com minha família, e eu sempre quero saber as novidades de sua vida de andarilho (acho que ele passou tempos em umas 8 cidades diferentes, em 3 continentes diferentes, nesses 10 anos).
há entre nós um carinho mútuo que se impõe apesar da distância, e do tempo, e das dificuldades.
hoje ele me perguntou se eu estava bem, porque ele andava encucado com a possibilidade de que eu tivesse morrido (ele não lê este blog porque não fala português, de modo que eu nunca lhe dei o endereço). é que tinha visto uma pessoa igualzinha a mim dia desses, e teve medo de que fosse meu fantasma indo lá pra se despedir.
constatada a minha boa saúde, e a dele, passamos a conversar sobre generalidades, dando updates de nossas respectivas vidas nos últimos meses. ele tem 30 anos, está pensando em se casar, mas tem lá seus second thoughts. queria conversar sobre isso. eu falei o que invariavelmente digo nessas horas: que a gente tem que fazer o que sente no meio da barriga que é o certo.
no meio da barriga. o cérebro pode ser tricky. o meio da barriga nunca mente.
ao falarmos da minha vida amorosa , ele insistiu para que eu aproveitasse a solidão para estudar. queria que eu me tornasse a primeira secretária geral da ONU, o que me fez gargalhar. e disse que entendia porque eu estava só: é que eu era muito "unique". estranhando o comentário, brinquei dizendo que esse "unique" queria dizer na verdade "freak". Ele respondeu que isso era um "burden", porque tornava ainda mais difícil achar alguém que combinasse comigo. E que não queria dizer "freak", e sim "superlative", "not average", "not one of the great stupid horde out there, cloning and feeding" (foram suas palavras literais). bem feito pra mim.
talvez ele tenha razão. talvez eu só precise aceitar isso. mas fico grata pelos outros freaks que existem pelo mundo; fazem com que eu me sinta menos só, ainda que estejam distantes.
¶ Friday, November 03, 20060 Comments
Wednesday, November 01, 2006
There is a pleasure in the pathless woods, There is a rapture on the lonely shore, There is society, where none intrudes, By the deep sea, and music in its roar: I love not man the less, but Nature more, From these our interviews, in which I steal From all I may be, or have been before, To mingle with the Universe, and feel What I can ne'er express, yet cannot all conceal.