Legítimas perguntas de interesse transindividual
Dia desses descobri que existe o yahoo questions, que é um mecanismo de pesquisa onde você pode simplesmente digitar uma pergunta e esperar pra ler a resposta em alguns dias. Entendo que o propósito do programa é demonstrar que pra maioria das perguntas sempre há uma resposta simples. Lá você pode perguntar, por exemplo, desde dúvidas prosaicas como
"
how did cats and dogs become domesticated animals? " e "
can you make lasagna in toaster oven?" até questionamentos existenciais, a la "
Do fetuses have souls?" (veja também: I got married in August how long should I wait before having kids?).
Em síntese: banalizaram o oráculo. Porra, logo o oráculo? É tão confortável a idéia de que alguém (que não você) sempre terá a resposta pra tudo que foi por isso que os homens estabeleceram ritos e formalidades para que fosse legítima a consulta ao oráculo. Do contrário viarava festa. Aí vieram as vestais e as cerimônias de libação, se não me engano. Consultar o oráculo era um privilégio a pouquíssimos deferido. E agora qualquer idiota como eu pode perguntar qualquer coisa e obter a resposta em poucos dias. Nem precisa matar um cabrito.
Pois bem. Já que é assim, estudo fazer a pergunta que mais tem atormentado as mulheres da minha faixa etária e que são dotadas de mais de cinco neurônios: onde estão os homens interessantes desse mundo? Eles foram abduzidos por alienígenas? Tiveram seus cérebros derretidos pelos videogames? Fumaram maconha demais? Fundaram uma Atlântida subaquática porque não aguentavam mais as ladainhas da TPM ("eu tô bonita? tô gorda? você ainda gosta de mim?")? Estão dormindo quinze horas por dia?
O caso está ficando sério. E o pior é que quando o problema não é com o cara, é claramente comigo, ora. Aí eu fico me achando feia, gorda e desamada (isso existe? ou é unloved?). Eu e as demais mulheres com mais de cinco neurônios. Até Luciana, pô. Quando uma pessoa parece com Angelina Jolie e acorda de manhã se sentindo feia é porque a situação é caótica.
Vou consultar o oráculo. Se não funcionar, a saída vai ser pedir ajuda aos universitários.