Em uma cidade como Recife, a gente acaba conhecendo muita gente. Sempre tem alguém que trabalha com algum amigo seu, ou que você conhece da aula de dança, ou que é irmão de uma amiga da sua vizinha. Em qualquer lugar onde você for, as chances de encontrar alguém conhecido (ou alguém que conheça você) são enormes. Chega a ser por vezes irritante.
Mas me pego pensando... por que é tão difícil realmente se conectar? São tão raras as vezes na vida em que você encontra alguém que funciona na mesma frequência que você, alguém com quem você simplesmente gosta de passar tempo, alguém cuja presença e proximidade sejam naturais e enriquecedoras, alguém com quem você não tenha que usar máscaras, ou fazer muito esforço. Alguém que permita que você seja, somente, você mesmo. É difícil pra cacete. Alguém que o(a) torne, pelo simples fato de existir, uma pessoa melhor.
E no entanto, quando acontece, meus amigos, quando ocorre esse pequeno milagre, sempre existem
as outras coisas. A você, restam apenas duas opções: se contorcer todo pra que essas
outras coisas se acomodem, pro bem ou pro mal (e do jeito que der), sob o peso de sua resolução, ou torcer pra que o prodígio imponderável se repita, e se fechar num casulo.