Magic Talking Looking-Glass
Friday, November 03, 2006
 
eu tenho um amigo muito amado, mas que mora muito longe. hoje nos demos conta de que mantemos contato há 10 anos. ocasionalmente, trocamos emails ou telefonemas; ele sempre se preocupa com meu estado geral e com minha família, e eu sempre quero saber as novidades de sua vida de andarilho (acho que ele passou tempos em umas 8 cidades diferentes, em 3 continentes diferentes, nesses 10 anos).

há entre nós um carinho mútuo que se impõe apesar da distância, e do tempo, e das dificuldades.

hoje ele me perguntou se eu estava bem, porque ele andava encucado com a possibilidade de que eu tivesse morrido (ele não lê este blog porque não fala português, de modo que eu nunca lhe dei o endereço). é que tinha visto uma pessoa igualzinha a mim dia desses, e teve medo de que fosse meu fantasma indo lá pra se despedir.

constatada a minha boa saúde, e a dele, passamos a conversar sobre generalidades, dando updates de nossas respectivas vidas nos últimos meses. ele tem 30 anos, está pensando em se casar, mas tem lá seus second thoughts. queria conversar sobre isso. eu falei o que invariavelmente digo nessas horas: que a gente tem que fazer o que sente no meio da barriga que é o certo.

no meio da barriga. o cérebro pode ser tricky. o meio da barriga nunca mente.

ao falarmos da minha vida amorosa , ele insistiu para que eu aproveitasse a solidão para estudar. queria que eu me tornasse a primeira secretária geral da ONU, o que me fez gargalhar. e disse que entendia porque eu estava só: é que eu era muito "unique". estranhando o comentário, brinquei dizendo que esse "unique" queria dizer na verdade "freak". Ele respondeu que isso era um "burden", porque tornava ainda mais difícil achar alguém que combinasse comigo. E que não queria dizer "freak", e sim "superlative", "not average", "not one of the great stupid horde out there, cloning and feeding" (foram suas palavras literais). bem feito pra mim.

talvez ele tenha razão. talvez eu só precise aceitar isso. mas fico grata pelos outros freaks que existem pelo mundo; fazem com que eu me sinta menos só, ainda que estejam distantes.
 
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