Quinta-feira me peguei considerando seriamente a possibilidade de comprar um par de sapatos numa loja do Plaza. Nada fora do normal, evidentemente, senão pelo fato de que atualmente tenho TRÊS pares novinhos, jamais usados, no guarda-roupa. Três pares que nunca saíram de seus saquinhos.
Isso mesmo. Eu admito que tenho um problema com sapatos. Tenho-os aos montes. De várias cores, novos, velhos, chiques, chinelos, de marca, de borracha. Muitos. É um problema velho. Quando recebi meu primeiro salário, minhas primeiras compras foram um livro sobre arte medieval na sodiler e um par de botas na forum. Houve uma época em que eu e loulou comprávamos sapatos iguais, só pra abusar mesmo. Quando me sinto triste, ou quando me sinto especialmente feliz, compro sapatos. Perdi a conta de quantos foram esse ano. E olha que eu não sou escrava de shopping, não! Raramente saio a fazer compras!
É claro que eu sei que há algo de muito estranho nesse tipo de comportamento; vejo, nitidamente, que ele revela um mecanismo de compensação defeituoso. Mas todos nós não os temos, esses truquezinhos que servem para enganar o apetite? Claro que você também tem, ora. Pode até não ser sapatos; pode ser roer unhas, por exemplo, ou manifestar perigosa propensão ao workaholism. Todo mundo se esconde.
Pensei, pensei e resolvi não comprar os sapatos. Nem experimentei, pra não dar corda ao diabo. Mas que permanece um sentimento de incompletude, ah, esse sim eu sinto aqui.