Magic Talking Looking-Glass
Estava relendo meu caderninho. Aquele, ainda, com uma estrela vermelha pintada na capa. Tinha prometido a mim mesma fazer um novo, mas,
alas!, promessas são quebradas o tempo inteiro e eu sei disso bem demais.
Rebus sic Stantibus.Trocar o caderno seria, talvez, uma forma de limpar tudo. Zerar. Tenho pensado muito em como eu queria essa chance de começar do começo outra vez. É confuso tentar explicar.
Três grandes amigos meus estão indo embora do Recife semana que vem, deixando um fardo de saudades. Victor, Mari, Albino. São pessoas que conviveram tanto comigo, que estiveram do meu lado em momentos tão ruins e tão bons...
Lembro de um jantar no meu finado apartamento, em março deste ano, em que Mariana fez pães recheados e melamos a casa inteira de ovo e farinha, e Victor levou cigarrilhas chiques pra gente fumar declamando poemas. Ficamos até quase quatro da manhã brigando por poesia (acho que acabou em Neruda), e a casa no outro dia parecia um campo de batalha. E ali eu fui verdadeiramente feliz. Naquele dia, eu tinha tudo.
Lembro de uma farra que acabou às cinco da manhã, no nascer do sol do Marco Zero, e Albino estava lá, e Luciana e Paula. A gente exausto do tanto que tinha se divertido. E ali também - quando eu já tinha perdido tanto - eu fui verdadeiramente feliz.
Pois esses amigos irão recomeçar suas vidas em outras cidades. Com outros amigos. Eles vão ter a chance de zerar, não é verdade? Lá - pra onde quer que eles vão - ninguém sabe de suas falhas, ninguém lembra de algum episódio terrível que eles protagonizaram. Em resumo, lá eles vão ser como bebês, livres de predicados.
Eu queria ser limpa, livre de passados tormentosos, queria que as pessoas, ao me conhecerem, soubessem apenas do meu nome. E me dessem chance de me reconstruir (yet again). E não se fechassem em ouvir dizer, ou em lembranças alheias, ou em impressões generalizadas. Queria que as pessoas pudessem ver além do que se vê. Queria me dar chances.
Porque, se não for assim, serei sempre a incompreendida. No olho do furacão.
E nem quanto a isto eu posso pedir perdão, porque seria uma traição à verdade.
Curar ressaca é uma arte.
Se alguém puder me ensinar...
Parece que um trem passou por cima de mim. Como disse Luciana, deve ser a idade.
eu tô muito noveleira. é uma doença.
noites de quinta agora são reservadas a Dr. Shepard e a Dr. House.
Yep, my life´s pathethic. Laugh on.
"Derek: [to Meredith] Look I was married for 11 years. Addison is my family. That is 11 Thanksgiving’s, 11 birthdays, 11 Christmas’s, and in one day I am supposed to sign a piece of paper and end my family? A person doesn’t do that, not without a little hesitation. I’m entitled to a little uncertainty here. Just a moment to understand the magnitude of what it means to cut somebody out of my life. I am entitled to at least one moment of painful doubt and a little understanding from you would be nice."
"Bailey:
it´s not hard. it´s painful, but not hard. you already know what to do. if you didn´t, you wouldn´t be in so much pain."
Cole Porter disse "everytime we say goodbye I die a little".
Mas quantas vezes é possível morrer aos poucos, antes de comprometer a sobrevivência do todo?
Nessa mesma noite, gaguejara uma prece para o Deus e para si mesma: alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague de mais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém.De repente Lóri não suportou mais e telefonou para Ulisses:- Que é que faço, é de noite e estou viva. Estar viva está me matando aos poucos, e eu estou toda alerta no escuro.Houve uma pausa, ela chegou a pensar que Ulisses não ouvira. Então ele disse com voz calma e apaziguante:- Aguente.Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres.
"The best lack all conviction, while the worst are full of passionate intensity."William Butler Yeats. The second coming.
quando você está mal,
desacreditada,
cansada,
desesperançosa,
aí você recebe uma mensagem assim e pensa
que não pode ter feito tudo errado na vida:
Bárbara: nem fala que dói, nine. saudade muita de tu e do tempo em que o que nos separava era apenas uma janelinha de vidro. tu TEM q vir p cá, ia ser tão bom...dia desses eu sonhei q a gente morava junta aqui :) deve ser pq eu tô na fase de procura apt. + roomate, e tu seria a ideal!!!saudaaaade beijo
de repente me bateu uma vontade louca de ir pra SP, ver dani, sil e babi, e beta, que também é chique e tá lá na USP.
se eu não tivesse um bilhão de contas a pagar e concursos a tentar...
calma, nine, sacrifícios são necessários. ano que vem vou pra SP como quem vai ali e já volta.
Um dos meus Yeats preferidos. Porque Yeats é foda.
NO SECOND TROY WHY should I blame her that she filled my days
With misery, or that she would of late
Have taught to ignorant men most violent ways,
Or hurled the little streets upon the great,
Had they but courage equal to desire?
What could have made her peaceful with a mind
That nobleness made simple as a fire,
With beauty like a tightened bow, a kind
That is not natural in an age like this,
Being high and solitary and most stern?
Why, what could she have done being what she is?
Was there another Troy for her to burn?
Canta para mimqualquer coisa assim sobre vocêque explique a minha pazLos Hermanos. Casa Pré-fabricada.
Ainda bem: um filme de meninas. Um filme com roupinhas bonitas e acessórios maravilhosos. Um filme com botas. Um filme com Paris. Um filme com armários de sapatos.
Um filme para alguém como eu. hmpf.
Só não gostei de uma coisa: por que é que nos filmes as mulheres inteligentes são sempre feinhas, e as bonitas são sempre superficiais e burras?
Protesto por um mundo com mais glitter.
Em um momento de extrema confusão mental e grave distúrbio de minhas completas faculdades racionais, cometi a loucura de me inscrever para o concurso da Prefeitura de Vitória de Santo Antão. Deve ter sido um desses episódios neurastênicos causados por épocas de dura provação.
O fato é que me inscrevi, meus amigos.
Não sabia se deveria me dar ao trabalho de fazer a prova. Sabem como é, ir até lá num domingo, passar a tarde fazendo prova, gastar neurônio, e tudo isso sabendo das mínimas chances de sucesso. E o salário, ainda por cima, é ruim de doer. Por que diabos então me inscrevi, vocês hão de perguntar, e só posso responder o que escrevi aí em cima, no primeiro parágrafo.
Mas meu pai jogou o papo do "Nim, a gente vai, almoça por lá, vai ser bom". Como a prova era só objetiva, e não tinha nada pra fazer mesmo, eu concordei. Pegamos a estrada. Chegando lá, depois de localizarmos a escola, o próximo passo foi achar um lugar decente pra comer. E vocês não imaginam a dificuldade! Ou o lugar estava fechado, ou era uma budega horrorosa. Papai então teve a brilhante idéia de pedir indicação a um
local, que fez propaganda de um restaurante muito "família", ali no centro. Juro que ouvimos o cara dizendo que o nome era "sharp". E lá fomos nós, no meio do trânsito CAÓTICO de Vitória - sim, além dos carros e kombis, você tem que desviar de centenas de motos, bicicletas, cavalos e carrinhos de mão.
Achamos, depois de muito, o famoso restaurante "sharp", que na verdade se chama Chaplin. Estava mega lotado. Como o concurso contemplou vagas para todos os níveis de escolaridade imaginados, a cidade estava em polvorosa. Gente por tudo o que é lado. Arrajamos uma mesinha (suja, por sinal, e grudenta), sentamos e pedimos guaraná e coca-cola, além de, claro, um galeto, que só chegou depois de 50 minutos, e que custou algo em torno de 25 reais.
Comemos com pressa e voltamos correndo pro local de provas. Gastei uma hora pra terminar. Saí irritada, com calor. Tomei um picolé de limão. Papai ficou lendo na praça, esperando.
E amanhã começa tudo de novo.
Eu mereço, pessoal. Mereço mesmo. Vou direto pro céu.

my cool hands
in your warm hands
your warm hands
on my thighs
on my neck
on all of my lies.
There is only one success - to be able to spend your life in your own way. Christopher Morley
Amo tua voz e tua corKleiton & Kledir. Paixão.
Hoje começa o Rosh Hashanah, que é o ano novo judaico. Vai até domingo.
Quem me conhece bem sabe que eu tenho uma quedinha pela cultura e pelas tradições judaicas. Acho bonito, e me parece, em muita coisa, mais verdadeiro que as idiossincrasias católicas/cristãs. Tem um misticismo legal, convida à auto-reflexão, é bastante poético. Acho que fui judia em outra reencarnação (vejam, por exemplo, como sou dramática e exagerada!!).
O fato é que eu gosto muito do conceito do Rosh Hashanah. A coisa do começar do zero, de pedir perdão (e segundo meu amigo Paulo, não basta rezar, tem que pedir perdão DE FATO às pessoas a quem se fez mal), da vontade de se lavar do velho e incorporar o novo, é linda. Combina com minha filosofia de vida.
Tem que comer maçã com mel (um simbolismo maravilhoso - depois explico a quem quiser saber) pra trazer um ano novo bom, e doce, e farto, e novo mesmo. Depois tem que passar os próximos dez dias nessa busca instrospectiva de renovação, verificar os erros, pedir perdão, buscar os equilíbrios necessários. E jejuar por 24 horas no fim desse período. Pronto.
O resto, o Universo ajuda. Acredito piamente nesses rituais de transformação; se não for pelo aspecto religioso, a psicologia tem ampla ciência sobre a importância de rituais de passagem para o ser humano.
Acho que sem magia, sem coisas que a gente não entende muito bem, o mundo é muito sem gracinha. Não vale a dor. Magic is all around. Aliás, love is all around porque amor é, essencialmente, magia. Mas isso já são outros dedos de prosa.
Pra quem quiser, tem uma explicação legal sobre o Hosh Hashanah aqui:
http://www.chabad.org/holidays/JewishNewYear/template.asp?AID=4762É isso. Shaná Tová. E vão lá acreditar em bruxas. Que las hay, las hay.
é toda vez que eu olho.
é a maneira como a voz reverbera.
é o cheiro que se encarna à pele, que sequer foi tocada.
é a perda. a esperança. a certeza.
é a presença infalível. sempre. ainda quando impossível.
é tudo do que não se pode esconder.
Vocês, que são meus amigos, me perguntam se eu estou bem. Todos vocês. O que é bem normal, considerando que a gente se gosta, considerando que vocês são... bem... vocês são meus amigos. E vocês fazem parte da minha vida. Claro que vocês querem saber se eu estou bem, comentam que eu ando calada, "sumida" (essa palavrinha repetida), que passo tempos sem vê-los.
O fato é que, passados vários meses, agora já posso dizer que estou bem sim. Quebrada, mas em conserto. Em manutenção. Mas acometida por uma doença maravilhosa da qual nunca vou querer me curar.
"Anastácia, cidade enganosa, tem o poder, que às vezes se diz maligno e outras vezes benigno: se você trabalha oito horas por dia como minerador de ágatas ônix crisóprasos, a fadiga que dá forma aos seus desejos toma dos desejos a sua forma, e você acha que está se divertindo em Anastácia quando não passa de seu escravo."Italo Calvino. As cidades invisíveis.
Algumas pessoas me perguntam por que eu não publico meus poemas. É simples: poemas são translúcidos.
You can see right through.
Mas, como já dizia meu disquinho da disney (chapeuzinho vermelho): "nem tudo está perdido quando resta uma esperança! abriremos a barriga do lobo, e a vovó querida, como foi comida há pouco, talvez ainda esteja viva!"
Dei-me de presente dois mimos: "o banqueiro anarquista", de f. pessoa (seu pessoa escrevendo conto, olha só!) e "cidades invisíveis", de i. calvino (que começarei já esta noite).
Talvez meu cérebro ainda esteja vivo!
Ontem me dei conta que, acho pela primeira vez na vida, estou há mais de um mês sem ler um livro, um romance mesmo, literatura. Fiquei indignada - mas como é que pode, meu Deus? Ler sempre foi meu refúgio.
Claro que eu sobrevivo da leitura de poeminhas furtivos, roubados da internet no meio do expediente ou da prateleira de casa, à noite. Mas cadê o envolvimento, o apego e a evolução interior que só um bom romance é capaz de provocar?
A pobre Anna Karenina está ainda (desde março, acredito) esperando para ser terminada. De lá pra cá, só lembro de ter terminado três: "Fim de Caso", de Graham Greene, o sexto livro da série de Maurice Druon (sim, não sou intelectualóide e leio coisas bestas e absolutamente prazerosas), e "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres", de Clarice. Pra ilustrar bem o problema, imaginem que até para terminar o livro de Bruna Surfistinha eu tive dificuldades (tudo bem que é tão ruim que nem se vê a menor graça).
Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Eu lia livros (sim, no plural) por semana. Era capaz de passar madrugadas em claro. Ficava muitas vezes obcecada em leitura. Podia escrever por horas. Meus namorados sempre se queixavam disso.
E agora... agora eu só leio coisas chatas, e leis e livros de direito do trabalho ou constitucional. E informativos do STJ e do STF. Virei uma c.h.a.t.a. Mal tenho tempo pros meus amigos. Essa semana eu poderia ter ido tomar vinho com Lucy e Albino e tive que adiar para a próxima. Meu lazer se resume a cinema, House, Grey´s Anatomy e café na Cultura (coisa cada vez mais rara, aliás). As pessoas dizem que eu ando "sumida".
Mas isso por até ser um bom sinal. Sinal de que eu continuo fiel ao meu plano, até mesmo quando preciso abdicar de algumas das coisas que eu mais amo fazer na vida. Sinal de que eu, finalmente, sei em que direção andar.
Quando voltei do trabalho, tocou no rádio.
Quando liguei a tv, estava tocando de novo.
"dance me to the children who are asking to be born"
tem umas músicas que você nunca mais na vida vai poder ouvir sem chorar.
"dindi" é uma delas.
"running and searching"
Porque foi a primeira música que eu aprendi a cantar em francês (depois do refrão de "aline", claro),
Porque eu canto bem bonitinho, como uma menininha,
Porque eu quero muito muito voltar a estudar,
Porque ano que vem se eu não for a Paris eu acho que morro,
Et puis...
Non! Rien de rien ...Non !
Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal
Non ! Rien de rien ...Non ! J
e ne regrette rien...
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux !
Balayés mes amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro ...Non !
Rien de rien ...Non !
Je ne regrette rien ...
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !
Non ! Rien de rien ...Non !
Je ne regrette rien ...
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi !
All things uncomely and broken, all things worn out and old,
The cry of a child by the roadway, the creak of a lumbering cart,
The heavy steps of the ploughman, splashing the wintry mould,
Are wronging your image that blossoms a rose in the deeps of my heart.
The wrong of unshapely things is a wrong too great to be told;
I hunger to build them anew and sit on a green knoll apart,
With the earth and the sky and the water, re-made, like a casket of gold
For my dreams of your image that blossoms a rose in the deeps of my heart.
(W. B. Yeats)
Praias são lugares mágicos.
A sensação de botar meu bikini de lacinho rosinha, passar protetor, desamarrar a canga e me sentar de frente pra aquele marzão é, suponho, um resgate de consciência interior.
Claro que meditar tomando skol ajuda. Claro que companhias ajudam também. Mas é a nossa relação com a água, com aquela força tão maior que nós, aquela massa que nos engole inteiros, que dá o barato. Todo mundo diz que são reminiscências de nossa vida uterina, o que provavelmente está certo.
Eu devo mesmo ter nascido de novo, como sempre. (e nisso eu já fui comparada a uma tartaruga, que carrega a casa nas próprias costas).
Eu morri, sim senhor. Ainda morro.
Nunca pensei que uma mudança pudesse ser um processo tão doloroso. Talvez porque todas as minhas mudanças foram sempre feitas de maneira abrupta, e essa foi toda planejada. Dolorosamente planejada. A casa morreu aos poucos, comigo, mês a mês, semana a semana, dia a dia. Até que estava toda encaixotada. Todas as lembranças encaixotadas. Todas as esperanças encaixotadas. Todos os medos. As culpas. As dúvidas. Os lençóis. As taças. Os livros. As skol beats na geladeira.
E esse enterro eu fiz sozinha. Ouviram bem? Sozinha. Todo mundo diz que a morte é a única hora verdadeiramente solitária. Mas minha mãe esteve lá pra jogar a pá de terra. Ela sempre vai estar lá. Os outros não. Os outros têm medo.
Agora que o pior já passou eu creio estar sendo parida outra vez. Me parindo outra vez. Talvez no mar, o útero gigante de nossa casa verdadeira. De qualquer jeito, eu nasço com meu casco servindo de abrigo. E há tanto amor (sempre haverá) dentro dele que eu tenho medo só de pensar que ele, o amor, sempre esteve lá e eu nunca me dei conta. Eu amo. Amo. Amo. Amo. Nos amo. Me amo. Te amo.
(não me culpem pelo post maluco, eu não sou muito normal anyway)

Fala sério: minha irmã é TUDA!
Comendo escargot na Bélgica então...
olha: eu adoro a dra. addison. ela é uma megera. eu até fico sentida por ela, porque ela é tão linda e toda maravilhosa no que faz, mas sabe que o marido está apaixonado por meredith, o que deve ser a pior coisa do mundo. sabe que, não importa o que ela faça, the deal is done.
e pra quem diz que ela é feia:
http://www.imdb.com/name/nm0005532/
quick notes:
* às vezes você simplesmente tem que deixar rolar;
* impressionei minha terapeuta hoje (ela acha "admirável" minha percepção de mudanças interiores);
* "bedtime stories" é meu cd preferido de Madonna (junto de Erotica);
* guilt is a bitch: you either dealt with it straight on, or it spreads like poison through your life.
Engraçado como música serve de norte-guia de nossa vida. Hoje de manhã, saindo apressada e atrasada, puxei o OK COMPUTER que estava dentro da caixa de cds e enfiei no som do carro. Foi quase um acidente: em três acordes de "airbag" eu já estava de volta a 1997. Quando começou "paranoid android", eu tinha 17 anos de novo.
O disco saiu puxando lembranças. Cada uma das músicas, até mesmo a
sequência delas me era conhecida e representava algo muito importante. Quando chegou a "exit music", eu já sabia o que era.
Lembrei da primeira vez que a ouvi. Estava na África do Sul, e o OK COMPUTER sequer tinha sido lançado ainda. Só chegou às lojas em agosto. Mas naquele ano, em fevereiro/março, a música estava na trilha sonora de Romeo + Juliet, de Baz Lurhmann, filme que vi com Ernie, quando eu ainda era uma menina aprendendo a crescer. Lembro da gente saindo do cinema falando da música (já éramos fãs de radiohead desde "creep", claro). Lembro que eu voltaria pro Brasil dali a poucos dias. Lembro que chorei no cinema.
Quando eu recebi o OK COMPUTER, em agosto, tinha acabado de ler "Entrevista com o Vampiro", de Anne Rice. Tinha acabado meu primeiro semestre na faculdade.
Era
isso o que o disco me lembrava de manhã cedo: que um dia, há quase dez anos, eu era uma menina recém ingressa na faculdade de direito, cheia de dúvidas, apaixonada, inocente, que acreditava em sonhos. E que recebeu de presente aquele cd cheio de canções nem um pouco simétricas, e tão poderosas. Uma menina que foi ficando mais e mais confusa à medida em que o tempo passava.
Uma menina que embarcou numa viagem tão perigosa por baixo de máscaras.
(to be continued)
Tive a sorte de formar um grupo de amigos no curso. Pra falar merda mesmo, pra tirar onda, pra rir das besteiras que acontecem com a gente. Que coisa deliciosa, meu deus, é conhecer gente nova.
Hoje um deles comentou como era fácil me ver sorrindo, achando graça, e como eu levava alegria o tempo inteiro. Eu disse que ele se enganava. É fácil me ver alegre, mas igualmente fácil me ver fechada, absorta em algum mundo onde tudo me irrita e me preocupa.
Pensei que alguns assuntos têm o dom de me deixar imediatamente chateada. Triste. Que me fazem fechar como uma ostra. Meu sorriso se transforma quase que imediatamente em uma máscara de fúria.
E, quando isso acontece, eu conto nos dedos de uma mão as pessoas que têm o poder de me fazer sorrir de novo.
ainda.