Engraçado como música serve de norte-guia de nossa vida. Hoje de manhã, saindo apressada e atrasada, puxei o OK COMPUTER que estava dentro da caixa de cds e enfiei no som do carro. Foi quase um acidente: em três acordes de "airbag" eu já estava de volta a 1997. Quando começou "paranoid android", eu tinha 17 anos de novo.
O disco saiu puxando lembranças. Cada uma das músicas, até mesmo a
sequência delas me era conhecida e representava algo muito importante. Quando chegou a "exit music", eu já sabia o que era.
Lembrei da primeira vez que a ouvi. Estava na África do Sul, e o OK COMPUTER sequer tinha sido lançado ainda. Só chegou às lojas em agosto. Mas naquele ano, em fevereiro/março, a música estava na trilha sonora de Romeo + Juliet, de Baz Lurhmann, filme que vi com Ernie, quando eu ainda era uma menina aprendendo a crescer. Lembro da gente saindo do cinema falando da música (já éramos fãs de radiohead desde "creep", claro). Lembro que eu voltaria pro Brasil dali a poucos dias. Lembro que chorei no cinema.
Quando eu recebi o OK COMPUTER, em agosto, tinha acabado de ler "Entrevista com o Vampiro", de Anne Rice. Tinha acabado meu primeiro semestre na faculdade.
Era
isso o que o disco me lembrava de manhã cedo: que um dia, há quase dez anos, eu era uma menina recém ingressa na faculdade de direito, cheia de dúvidas, apaixonada, inocente, que acreditava em sonhos. E que recebeu de presente aquele cd cheio de canções nem um pouco simétricas, e tão poderosas. Uma menina que foi ficando mais e mais confusa à medida em que o tempo passava.
Uma menina que embarcou numa viagem tão perigosa por baixo de máscaras.
(to be continued)