Praias são lugares mágicos.
A sensação de botar meu bikini de lacinho rosinha, passar protetor, desamarrar a canga e me sentar de frente pra aquele marzão é, suponho, um resgate de consciência interior.
Claro que meditar tomando skol ajuda. Claro que companhias ajudam também. Mas é a nossa relação com a água, com aquela força tão maior que nós, aquela massa que nos engole inteiros, que dá o barato. Todo mundo diz que são reminiscências de nossa vida uterina, o que provavelmente está certo.
Eu devo mesmo ter nascido de novo, como sempre. (e nisso eu já fui comparada a uma tartaruga, que carrega a casa nas próprias costas).
Eu morri, sim senhor. Ainda morro.
Nunca pensei que uma mudança pudesse ser um processo tão doloroso. Talvez porque todas as minhas mudanças foram sempre feitas de maneira abrupta, e essa foi toda planejada. Dolorosamente planejada. A casa morreu aos poucos, comigo, mês a mês, semana a semana, dia a dia. Até que estava toda encaixotada. Todas as lembranças encaixotadas. Todas as esperanças encaixotadas. Todos os medos. As culpas. As dúvidas. Os lençóis. As taças. Os livros. As skol beats na geladeira.
E esse enterro eu fiz sozinha. Ouviram bem? Sozinha. Todo mundo diz que a morte é a única hora verdadeiramente solitária. Mas minha mãe esteve lá pra jogar a pá de terra. Ela sempre vai estar lá. Os outros não. Os outros têm medo.
Agora que o pior já passou eu creio estar sendo parida outra vez. Me parindo outra vez. Talvez no mar, o útero gigante de nossa casa verdadeira. De qualquer jeito, eu nasço com meu casco servindo de abrigo. E há tanto amor (sempre haverá) dentro dele que eu tenho medo só de pensar que ele, o amor, sempre esteve lá e eu nunca me dei conta. Eu amo. Amo. Amo. Amo. Nos amo. Me amo. Te amo.
(não me culpem pelo post maluco, eu não sou muito normal anyway)