Ontem me dei conta que, acho pela primeira vez na vida, estou há mais de um mês sem ler um livro, um romance mesmo, literatura. Fiquei indignada - mas como é que pode, meu Deus? Ler sempre foi meu refúgio.
Claro que eu sobrevivo da leitura de poeminhas furtivos, roubados da internet no meio do expediente ou da prateleira de casa, à noite. Mas cadê o envolvimento, o apego e a evolução interior que só um bom romance é capaz de provocar?
A pobre Anna Karenina está ainda (desde março, acredito) esperando para ser terminada. De lá pra cá, só lembro de ter terminado três: "Fim de Caso", de Graham Greene, o sexto livro da série de Maurice Druon (sim, não sou intelectualóide e leio coisas bestas e absolutamente prazerosas), e "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres", de Clarice. Pra ilustrar bem o problema, imaginem que até para terminar o livro de Bruna Surfistinha eu tive dificuldades (tudo bem que é tão ruim que nem se vê a menor graça).
Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Eu lia livros (sim, no plural) por semana. Era capaz de passar madrugadas em claro. Ficava muitas vezes obcecada em leitura. Podia escrever por horas. Meus namorados sempre se queixavam disso.
E agora... agora eu só leio coisas chatas, e leis e livros de direito do trabalho ou constitucional. E informativos do STJ e do STF. Virei uma c.h.a.t.a. Mal tenho tempo pros meus amigos. Essa semana eu poderia ter ido tomar vinho com Lucy e Albino e tive que adiar para a próxima. Meu lazer se resume a cinema, House, Grey´s Anatomy e café na Cultura (coisa cada vez mais rara, aliás). As pessoas dizem que eu ando "sumida".
Mas isso por até ser um bom sinal. Sinal de que eu continuo fiel ao meu plano, até mesmo quando preciso abdicar de algumas das coisas que eu mais amo fazer na vida. Sinal de que eu, finalmente, sei em que direção andar.