Magic Talking Looking-Glass
Do baú... eu tinha até esquecido que já tinha escrito isso. Ainda bem que alguém lembrou.
Eu que me atropelo
Que me desconserto
Que me desoriento
O que sou, senão o que sei que não sou?
O que me desconhece? O que me desacorda?
Os outros não sabem o que são
Porque não desconstróem o que foram
E não sabem o que vão ser.
Eu, que não quero o que não me pertence
Que quero o que pertence ao mundo
Que me perco no mundo de minhas dúvidas
O que não sou, senão o que quero ser?
não sabia que gostavam das minhas tentativas de poemas...
engraçado que eu sempre escrevi mais versos que contos, mas nunca consigo ter aquela sensação de "pronto, escrevi um poema". nunca meço verso, por exemplo. nunca escuto rimas. eu só escrevo deixando que imagens completem palavras. se isso é fazer poesia, então eu acho que sou cara-de-pau mesmo.
Hoje é dia de texto novo no
www.vacatussa.com.
Bom pra quem confia em certezas mecânicas.
Quero pensar que esse bailinho de Acho é Pouco não foi um ensaio pro meu carnaval: muito quente, sem cerveja, infra zero, absurdamente caro, aquela confusão na hora de comprar bebidas e a velha lama preta do eufrásio destruindo minha saia branca.
Fora que eu sei quem vem aí a recaída da gripe.
O casaco
Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usase um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no
lixo.
Ele queria amanhecer.
Manoel de Barros.

Se por algum motivo você não foi ao lançamento ontem, perdeu um bela festa. Como eu tinha passado a semana anterior lá pelo cerrado, e esta semana foi atípica por conta dos desdobramentos com o novo trabalho, não tinha me dado conta de como o negócio do Vacatussa tomou grandes proporções. Não tinha lido nenhuma das críticas dos jornais, por exemplo. Mário levou lá o Diario de Pernambuco pra que eu lesse a matéria. Putz, eu tava feliz ontem, viu? Feliz porque essa revista levou um ano de gestação, feliz porque o meu texto teve um significado especial e agora finalmente saiu de mim, feliz porque o lugar estava lotado, feliz porque abracei meus amigos, feliz porque ... feliz porque o Vacatussa é um negócio que me faz muito bem, e eu sou fã e parte do projeto. Parabéns pro pessoal da Mooz, que mais uma vez deixou todo mundo boquiaberto com a qualidade do trabalho deles. Parabéns pra Mário, que chegou cedo, arrumou o lugar e fez um banner maravilhoso. Parabéns pros djs, que botaram todo mundo pra dançar (eu quase não conseguia achar espaço pra dançar! tive que ficar quase em cima da mesa de som!). Parabéns pro Boratcho, que recepcionou a festa com um astral maravilhoso. :)
Que bom que tudo deu muito certo.
Segunda-feira tem o Vacatussa na rádio (depois passo os detalhes).
Se você ainda não tem a revista, pode baixá-la em pdf no site (
www.vacatussa.com). Se ainda não estiver funcionando, por favor tente mais tarde, que o nosso webmaster ainda deve estar se recuperando da farra de ontem.
Primeiro dia no trabalho novo: estou apavorada.
Aprendi há muitos anos, no escritório, com um amigo chamado Edgar, que nesses momentos de muitos problemas e poucos recursos, o melhor é fazer listas. Você deve listar tudo: problemas, argumentos, possibilidades, e então, fria e analiticamente, lidar com cada um deles separadamente. Com o tempo, descobri que essa técnica não funciona com tudo na vida, mas sempre dá pra aproveitar alguma coisa.
No caso da minha primeira impressão do trabalho, resolvi segui-la à risca: comprei um belo caderno pra listar pendências e maneiras de resolvê-las.
Disse-me dura, senhor
(bicho do mato)
forte, rápida
uma porta fechada
uma boca muda.
Não sabe que eu
sempre soube ser doce
um sorriso aberto
um peito largo,
uma esperança transbordante
um bichinho selvagem de colo.
Mas é que só eu entendo
hoje
a especial tristeza,
a desastrosa fatalidade,
daqueles animais
deixados atropelados pelo caminho.
You want her, you need her And yet you don't believe her When she says her love is dead You think she needs you And in her eyes, you see nothing No sign of love behind the tears Cried for no one A love that should have lasted years You stay home, she goes out She says that long ago she knew someone but now he's gone She doesn't need him your day breaks, your mind aches There will be times when all the things she said will fill your head You won't forget her The Beatles. For no one.
o cheiro bom da madeira do meu violãoCaetano Veloso. Pé do meu samba.

às vezes você se pega feliz e é isso.
Só o meu coração está batendo desigual.Almir Sater. Trem do Pantanal.
De férias e de coisas para jamais esquecer.
Em SP. Dani me ensinando a andar de ônibus e de metrô sozinha * uma SP pobre, que eu não conhecia * o Museu da Língua Portuguesa, a exposição Grande Sertão Veredas * compras finas com Dani * Grazie a Dio, contornando o cemitério * andar sozinha por SP, e desenrolar.
No Mato Grosso do Sul. Mari e Victor, amigos amados pro resto da vida * amigos de Mari e Victor, que agora já são meus também * Cantar e rir com Mari na ida e na volta das 3 horas e meia que separam Campo Grande do Paraguai * Pedro Juan Caballero e seu mundo maravilhoso * horizontes verdes que desafiavam as possibilidades da minha visão * Festa em casa * a maneira pela qual conheci Manoel de Barros (vocês também hão de conhecê-lo) * a música pantaneira * o pote imenso de sorvete italiano * O Duke * as mulheres deslumbrantes de CG * chuva no parque das nações indígenas * caminho pra Bonito e descoberta de todos os erres que a língua portuguesa tem de diferente * a floresta, a chuva incessante, as cachoeiras, o frio, a tensão, o atoleiro, a gasolina pouca, o café muito, as risadas maravilhosas * Flávio * Mato Grosso, o do Sul, o mato que me fez tanto bem que poderia ser um banho de cheiro.

Pausa das férias por um motivo mui nobre: há muito tempo um filme não me tocava tanto quanto
Hiroshima Mon Amour, de Resnais. Acho que vou me apaixonar por Marguerite Duras, acho que vou comprar o DVD, o poster, o livro. E assim eu me apaixono pelas nossas pequenas histórias, mais uma vez; assim eu me apaixono pela arte, pelas férias, pelas descobertas, pelas lembranças, pelos planos. E assim também eu me desapaixono, eu transformo, eu odeio.
"C'est là, il me semble l'avoir compris, que j'ai failli te perdre et que j'ai risqué ne jamais te connaître.
(...)
Dans quelques années, quand je t'aurai oublié et que d'autres histoires comme celle-là, par la force encore de l'habitude, arriveront encore, je me souviendrai de toi comme de l'oubli de l'amour même. Je penserai à cette histoire comme à l'horreur de l'oubli ; je le sais déjà."
Caro amigo leitor,Estou tirando umas férias. Férias também de mim mesma, que eu não sou santa e encho o saco às vezes. Vou ali tomar um rápido chá de sumiço, pegar uma cor, tirar o mofo, recarregar baterias, rever gente muito querida, quebrar algumas promessas (eu quase nunca quebro promessas, exceto quando me sinto realmente livre delas).Vou me aventurar um pouquinho, fazer o que eu preciso fazer de tempos em tempos pra não virar um bicho empalhado na estante.Até a volta, deixo com você um textinho bem batido, mas altamente recomendável. Quanto a mim, pode apostar que eu vou usar filtro solar, viu?Beijo,NineEm 1º de Junho de 1997, a jornalista Mary Schmich publicou esse texto em sua coluna no jornal The Chicago Tribune:
USE FILTRO SOLAR
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, eu diria:"usem filtro solar". O uso em longo prazo do filtro solar, foi cientificamente provado. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência.
Eu lhes darei esse conselho: Desfrute do poder e da beleza da sua juventude. Oh, esqueça...Você só vai compreender o poder e a beleza quando já tiverem desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que você não pode compreender agora quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era... Você não é tão gordo(a) quanto você imagina.
Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram pela sua mente, tipo aqueles que tomam conta da sua mente às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.
Todos os dias faça alguma coisa que te assuste. Cante.
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.
Relaxe. Não perca tempo com inveja. Às vezes você ganha, às vezes você perde. A corrida é longa, e no final, tem que contar só com você.
Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos. (Se você conseguir fazer isso, me diga como...)
Guarde suas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extratos bancários.
Estique-se.
Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos.Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez você se divorcie aos 40. Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. O que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder. Use-o de todas as formas que puder. Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele. Ele é o maior instrumento que você possuirá. Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.
Saiba entender seus pais. Você não sabe a falta que você vai sentir deles quando eles forem embora pra valer. Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com opassado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho. Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.
More em New York City uma vez. Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura. More no Norte da California uma vez. Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
Viaje. Aceite algumas verdades eternas: Os preços vão subir, os políticos são mulherengos e você também vai envelhecer. E quando você envelhecer, você fantasiará que quando você era jovem: os preços eram razoáveis, os políticos eram nobres e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite as pessoas mais velhas.
Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha um fundo de garantia. Talvez você tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos. Mas seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço muito maior do que realmente vale.
Mas acredite em mim, quando eu falo do filtro solar.
And I tell you it don't mean jack, no it don't mean jack...But then I just smile.Lilly Allen. Smile.
Não lembrava de como é dolorosa uma antitetânica. Sinto como se tivesse levado uma porrada no braço esquerdo. No direito, onde tomei a de febre amarela, não sinto absolutamente nada, mas em compensação estou mole, febril e com vontade de passar o dia na caminha.
E devidamente imunizada.
Os serviços de saúde deveriam disponibilizar outros tipos de vacinas, não é mesmo? Contra gente mentirosa, contra gente estúpida, contra gente mal-educada. Seria o maior sucesso.
pra não dizer que não falei de drama:
www.vacatussa.com(goiaba espapaçada de madura, como prometido)
Como disse meu amigo M, a propósito de aventuras sexuais: "se eu comprei o passaporte da alegria, é pra andar em todos os brinquedos, ora".
Todo mundo parece ter concordado.
True Story:
Fazendo as unhas. Do lado de fora do janelão de vidro, um outdoor com a cara de Eduardo Campos. Eu, entediada, volto o olhar para a rua, somente para ouvir a manicure suspirar: "eu adoro ver ele aí o dia todo, com esses olhos penetrantes".
Respeito muito minhas lágrimasMas ainda mais minha risadaCaetano Veloso. Vaca Profana.
É difícil achar um poema pracimex. Um poema lindo pracimex. Deve ser por isso que eu gosto tanto deste aqui:
Poeminha Sentimental
O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
Mario Quintana.
Finalmente encontrei o que mais perto já cheguei de um editor. Sabe aquele pessoa que entende o que você está querendo dizer no texto, que aponta e critica suas falhas de forma inteligente, e que realmente ajuda você a escrever melhor? Isso.
Escrever é um ato estritamente solitário, ainda que você escreva somente besteiras em um blog. Acredito que até mesmo o escrever livros tem que refletir uma atitude solitária. O que quer que você queira dizer através das palavras tem que vir de verdadeiro em você, senão soa forçado, é simplesmente ruim. Mas isso não quer dizer que ajuda (vinda de gente em quem você confia e com quem tenha muita afinidade) não seja bem-vinda.
Meu editor ligou semana passada metendo o pau no meu texto do Vacatussa, mas ele explicou suas razões, e terminou com um "você é muito melhor do que isso". Eu concordei aqui, discordei acolá. Mandei ontem pra ele o rascunho do texto da semana que vem. Já sei de suas críticas.
Mas o mais irônico de tudo é que, há alguns anos, eu não queria mostrar nada do que escrevia a esse amigo. Achava que ele nunca entenderia, de verdade, e tinha vergonha. Nada como 3 anos no meio pra fazer toda a diferença.
não fiz planos pra 2007. fazer planos pra quê? 2006 foi a comprovação de que os planos (e as pessoas) não são nem um pouco confiáveis.
só me fiz uma promessa pra 2007: cuidar mais de mim mesma. e não deixar que ninguém, ninguém mesmo, seja filho(a) da puta o suficiente pra me jogar pra baixo. melhor nem tentar.
agora, quem dá as cartas sou eu.
2007 começou bem, com um bom passeio de bicicleta.