Magic Talking Looking-Glass
Tuesday, July 31, 2007
 

Michelangelo Antonioni foi, muito provavelmente, meu cineasta preferido. Seus filmes (ao menos aqueles poucos que eu consegui comprar, baixar, ou pegar na locadora) me tocaram de uma maneira única, como grandes telas pintadas que contam histórias, geralmente de solidão e de incompreensão. São de uma beleza devastadora. Se eu fosse pintora, gostaria de ser Antonioni.


Ele tinha um jeito poético de tornar mulheres seres fora-do-mundo. Quando vi Blow Up, Vanessa Redgrave deixou de ser apenas uma atriz muito bonita e passou a simbolizar, no meu imaginário, a mulher inatingível: séria, fechada, misteriosa, humilhante. Mas humilhação de verdade foi descobrir Monica Vitti: primeiro em "A noite", morena, fatal - o impacto foi menor - depois em "A aventura", loira, descabelada, impulsiva, desesperada e frágil. An accident waiting to happen. Em Antonioni, as mulheres é que representam o silêncio, o vulcão adormecido. Os homens (e olha que ele dirigiu Alain Delon - com Monica Vitti - em O Eclipse! Que casal absurdamente bonito, meu Deus!) são sempre confusos e vazios, nunca sabem o que fazer.


Um dia eu os terei todos em casa. Todos os belos filmes de Michelangelo Antonioni. Os filmes e os posters, e os livros. Porque minha memória e meus parâmetros sobre o belo nunca mais foram os mesmos: o velhinho italiano que morreu aos 94 anos me refinou.


 
Comments:
Concordo plenamente com as suas palavras, e, por isso, as ratifico.

Antonioni é genial, posto que sua obra é imortal.

Destaco aqui, uma das minhas poesias preferidas dele - dos seus filmes que, igual a você, até hoje consegui assistir.

Trata-se da cena final de Blow-Up, "la partita a tennis senza palla" (http://www.youtube.com/watch?v=gdHVn_KWDjc).

De uma sensibilidade desconcertante. Ou seria concertante?!
 
aline,

ao lado de Chopin, Mozart, Pessoa e Drummond, Antonioni nos dá suporte para continuar aturando esse país porco e imundo, repleto de instituições natimortas, poliqueiros horripilantes, trágicos e etc.

pois a arte do mestre italiano é um instante raro, um dos modos de elevação do ser humano contra a precariedade de sua condição.
 
Li seu texto, ótimo.

mas não concordo com a parte que você diz que os homens dele são sempre confusos e vazios...se você perceber, o último filme dele onde a mulher é a protagonista é em "deserto vermelho", depois disso o homem toma o papel das mulheres em seus filmes, a partir de blow-up com o david hemmings e o jack nicholson em profissão reporter, eles são exatamente isso que você falou das mulheres "representam o silêncio, o vulcão adormecido", inverte, as mulheres se tornam vazias.

Daniel Aragão
 
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A princesa do conto era uma vez.

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