Nunca me julguei uma mulher especialmente vaidosa. É bem verdade que gosto de comprar sapatos, mas meus cabelos estão sempre desarrumados, eu vivo saindo de óculos (i. e. sem lentes de contato corretivas de meus diversos graus na receita do médico), não me acho nem um pouco graciosa e sou muito
self-conscious em relação a meu próprio corpo. Mas, ultimamente, tenho gasto tempo (e dinheiro!), cada vez mais, em pequenas indulgências à minha vaidade.
Pra começar, entrei na academia, o que se mostrou um grande passo. Três vezes por semana, duas horas e meia, pra pensar em nada além de como fazer pra perder a barriguinha e a celulite e ficar com a perna e a bunda durinhas. É claro que tudo isso está muito longe de acontecer.
Então, num projeto de curto-médio prazo, comecei um tratamento com a dermatologista. Estou usando creme pra área dos olhos antes de dormir (isto é, sempre que me lembro), bons hidratantes pro corpo, o trocinho lá da pharmapele, o laser ... é todo um sacrifício pra me livrar de pequenos problemas e pra que, daqui a uns 10 anos, eu não esteja tão acabada que pareça ter 70.
Isso sem contar minha deliciosa, recém-instituída, rotina matinal aos sábados: a manicure, a leitura descompromissada, a hidratação no cabelo uma vez por mês, o banho demorado.
Eu seu que nada disso vale de muita coisa, mas experimento uma espécie nova de cuidado comigo mesma, uma sensação boa de me proteger, de me amar, de gastar tempo, dinheiro e esforço só comigozinha. Um maravilhoso egoísmo, ainda quando saio sem pentear o cabelo, e até mesmo quando deixo de ir à academia por pura preguiça.