Magic Talking Looking-Glass
Thursday, May 03, 2007
 
Dear Diary

Depois de um longo e tenebroso inverno (na verdade foi um verão) sem escrever no meu velho caderninho, terminei de fazer o novo. Foi uma dificuldade...

Fiz o anterior em 98, porque não consegui encontrar nenhum caderno sem pauta, e queria um com centenas e centenas de folhas. Comprei o papel que queria, levei na papelaria, pedi pra cortarem do jeito que eu queria, comprei papel paraná prá capa, cortei, comprei tecido pra revesti-la, pintei por cima do tecido. Ficou do jeito que eu queria. E ele foi meu fiel companheiro durante todos esses anos. Passou tempos em branco, porque eu não sabia que palavras escrever, passou tempos cheios de entries diárias, porque eu só tinha ele mesmo pra aguentar a ladainha. Mas ele cansou, tadinho. E há um tempo eu já vinha matutando a idéia de aposentá-lo.

É porque muita água já tinha passado por baixo da ponte, e eu não via mais sentido no tipo de energia guardada naquelas folhas broncas (com desenhos, com colagens, com rabiscos). Muitos daqueles problemas passaram; muitos (novos e diferentes) chegaram. Eu queria virar páginas.

Mas esbarrei no mesmo problema: onde encontrar um caderninho sem pauta?

Cheguei a cogitar comprar um desses prontos de uma marca famosa, mas pensei que algo tão próximo de tudo o que realmente penso não poderia ser padronizado (eu me dou importância demais, claro). E tudo pra mim tem que ser cheio de significados ocultos, simbologias. Não, eu teria que fabricar outro mesmo.

Pois não é que hoje eu entrei numa livraria e encontrei um único - sim, esperava por mim - caderninho sem pauta? Custou-me R$ 5,45.

Mas é claro que não poderia ser assim não simples: eu já tinha comprado o tecido que queria usar na capa do novo caderninho! amarelo e vermelho, vibrante, e imagem encarnada de lembranças. Tirei o tecido da sacola, cortei, usei cola permanente, comprei tesoura novo, fiz a maior bagunça e uma meladeira dos infernos - eu, que nunca saí dos quatro anos no quesito artístico - e revesti a capa do caderninho com minha flores perfeitas.

E ele é só meu. Ninguém no mundo tem um igual. Meu e meu. E ninguém vê, e ninguém lê. E é nele que eu quero recomeçar a escrever a minha vida.
 
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A princesa do conto era uma vez.

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