Ao ser criticada, tenho a mania feia de querer deixar de fazer aquilo que foi objeto da crítica. Mas isso, é claro, somente com as coisas mais bestas e prosaicas da vida. Não deixaria de escrever porque alguém falou que não escrevo bem, mas se alguém disser que eu danço mal, por exemplo, eu me policio pra não dançar mais na frente da pessoa. Entendam: eu dançarei sempre que quiser, mas nunca conseguirei ficar à vontade pra dançar na frente do(a) sujeito(a).
E, no entanto, eu não sou nem um pouco aversa a críticas. O problema é meu, e não de quem me critica.
Minha terapeuta desce o cacete nessa mania "necessidade de perfeição" que me atrapalha a vida. Mas o fato é que, infelizmente, pra eu me sentir realmente bem a ponto de querer ser apenas e somente o que eu realmente sou, eu preciso me sentir aceita. Então quando eu me sinto mal porque me sinto
underappreciated eu corro pra aqueles meu referenciais de aceitação, procurando colinho.
Quando na verdade eu deveria era mandar isso tudo pro inferno, e cantar, cozinhar, investir, falar francês, jogar basquete, dançar balé, comprar roupas, errar na aula de step, pintar, escrever poemas, amar minha barriguinha, fazer tudo, tudo errado mesmo, e depois fazer de novo
just for the fun of it.
Porque no fundo tudo isso se resume à grande filosofia de pára-choque (é assim mesmo?) do caminhão de interior que vi na semana passada:
"Falar de mim é fácio. Difício é fazer o que eu faço". E esse cara aí é que deve ser bem feliz.