Magic Talking Looking-Glass
um dois trêsporra, essa merda de academia não vai fazer efeito não, é?
coisa mais linda foi você ter dito que eu era a sua irmãzinha. obrigada.

não preciso nem dizer
tudo isso que eu te digo
o leão que sempre cavalgueiAdriana Calcanhotto. Inverno.


miss my kitties.

she´s really something.
Uga Buga
Hoje vi um adesivo medonho em um carro: as cores do Santa Cruz, com os dizeres "quem tira cabaço é cobra". Sim, senhor. É exatamente por esse tipo de coisa que eu odeio futebol. Aliás, não odeio o esporte, odeio a imbecilidade que o acompanha. Porque a desculpa do futebol é usada pra todo o tipo de barbaridade neandertalística: pra sair buzinando como um maluco na rua porque o time ganhou, pra querer se matar porque o time perdeu, pra encenação daqueles espectáculos horrorosos de brigas de torcidas, pra odiar o vizinho só porque ele simpatiza com o outro time, que não o seu. Às vezes eu queria que os homens - tão carentes desses rituais tribais contemporâneos - simplesmente saíssem pra caçar um bom carneiro gordo, enquanto eu ficasse em casa catando os piolhos das crianças.
Nunca me julguei uma mulher especialmente vaidosa. É bem verdade que gosto de comprar sapatos, mas meus cabelos estão sempre desarrumados, eu vivo saindo de óculos (i. e. sem lentes de contato corretivas de meus diversos graus na receita do médico), não me acho nem um pouco graciosa e sou muito
self-conscious em relação a meu próprio corpo. Mas, ultimamente, tenho gasto tempo (e dinheiro!), cada vez mais, em pequenas indulgências à minha vaidade.
Pra começar, entrei na academia, o que se mostrou um grande passo. Três vezes por semana, duas horas e meia, pra pensar em nada além de como fazer pra perder a barriguinha e a celulite e ficar com a perna e a bunda durinhas. É claro que tudo isso está muito longe de acontecer.
Então, num projeto de curto-médio prazo, comecei um tratamento com a dermatologista. Estou usando creme pra área dos olhos antes de dormir (isto é, sempre que me lembro), bons hidratantes pro corpo, o trocinho lá da pharmapele, o laser ... é todo um sacrifício pra me livrar de pequenos problemas e pra que, daqui a uns 10 anos, eu não esteja tão acabada que pareça ter 70.
Isso sem contar minha deliciosa, recém-instituída, rotina matinal aos sábados: a manicure, a leitura descompromissada, a hidratação no cabelo uma vez por mês, o banho demorado.
Eu seu que nada disso vale de muita coisa, mas experimento uma espécie nova de cuidado comigo mesma, uma sensação boa de me proteger, de me amar, de gastar tempo, dinheiro e esforço só comigozinha. Um maravilhoso egoísmo, ainda quando saio sem pentear o cabelo, e até mesmo quando deixo de ir à academia por pura preguiça.

radioativa.
nem freudeu sempre saio da terapia me achando ótima: confiante, bem resolvida, pacificada.
mas aí, algumas horinhas depois, alguma palavrinha mal-dita escapole, abre um portão de perguntas e eu desmonto.
"eu devo ser uma pessoa muito má mesmo".
as curvas se acabamElis Regina. As curvas da estrada de Santos.

Juro que não fui eu. Estava no www.postsecret.blogspot.com
"O que Halim havia desejado com tanto ardor, os dois irmãos realizaram: nenhum teve filhos. Alguns de nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos.Milton Hatoum. Dois Irmãos.
And when the cupboard´s bare I'll still find something there with my love It's understoodPaul McCartney (Wings). My love.
Dear DiaryDepois de um longo e tenebroso inverno (na verdade foi um verão) sem escrever no meu velho caderninho, terminei de fazer o novo. Foi uma dificuldade...
Fiz o anterior em 98, porque não consegui encontrar nenhum caderno sem pauta, e queria um com centenas e centenas de folhas. Comprei o papel que queria, levei na papelaria, pedi pra cortarem do jeito que eu queria, comprei papel paraná prá capa, cortei, comprei tecido pra revesti-la, pintei por cima do tecido. Ficou do jeito que eu queria. E ele foi meu fiel companheiro durante todos esses anos. Passou tempos em branco, porque eu não sabia que palavras escrever, passou tempos cheios de
entries diárias, porque eu só tinha ele mesmo pra aguentar a ladainha. Mas ele cansou, tadinho. E há um tempo eu já vinha matutando a idéia de aposentá-lo.
É porque muita água já tinha passado por baixo da ponte, e eu não via mais sentido no tipo de energia guardada naquelas folhas broncas (com desenhos, com colagens, com rabiscos). Muitos daqueles problemas passaram; muitos (novos e diferentes) chegaram. Eu queria virar páginas.
Mas esbarrei no mesmo problema: onde encontrar um caderninho sem pauta?
Cheguei a cogitar comprar um desses prontos de uma marca famosa, mas pensei que algo tão próximo de tudo o que realmente penso não poderia ser padronizado (eu me dou importância demais, claro). E tudo pra mim tem que ser cheio de significados ocultos, simbologias. Não, eu teria que fabricar outro mesmo.
Pois não é que hoje eu entrei numa livraria e encontrei um único - sim, esperava por mim - caderninho sem pauta? Custou-me R$ 5,45.
Mas é claro que não poderia ser assim não simples: eu já tinha comprado o tecido que queria usar na capa do novo caderninho! amarelo e vermelho, vibrante, e imagem encarnada de lembranças. Tirei o tecido da sacola, cortei, usei cola permanente, comprei tesoura novo, fiz a maior bagunça e uma meladeira dos infernos - eu, que nunca saí dos quatro anos no quesito artístico - e revesti a capa do caderninho com minha flores perfeitas.
E ele é só meu. Ninguém no mundo tem um igual. Meu e meu. E ninguém vê, e ninguém lê. E é nele que eu quero recomeçar a escrever a minha vida.
Ao ser criticada, tenho a mania feia de querer deixar de fazer aquilo que foi objeto da crítica. Mas isso, é claro, somente com as coisas mais bestas e prosaicas da vida. Não deixaria de escrever porque alguém falou que não escrevo bem, mas se alguém disser que eu danço mal, por exemplo, eu me policio pra não dançar mais na frente da pessoa. Entendam: eu dançarei sempre que quiser, mas nunca conseguirei ficar à vontade pra dançar na frente do(a) sujeito(a).
E, no entanto, eu não sou nem um pouco aversa a críticas. O problema é meu, e não de quem me critica.
Minha terapeuta desce o cacete nessa mania "necessidade de perfeição" que me atrapalha a vida. Mas o fato é que, infelizmente, pra eu me sentir realmente bem a ponto de querer ser apenas e somente o que eu realmente sou, eu preciso me sentir aceita. Então quando eu me sinto mal porque me sinto
underappreciated eu corro pra aqueles meu referenciais de aceitação, procurando colinho.
Quando na verdade eu deveria era mandar isso tudo pro inferno, e cantar, cozinhar, investir, falar francês, jogar basquete, dançar balé, comprar roupas, errar na aula de step, pintar, escrever poemas, amar minha barriguinha, fazer tudo, tudo errado mesmo, e depois fazer de novo
just for the fun of it.
Porque no fundo tudo isso se resume à grande filosofia de pára-choque (é assim mesmo?) do caminhão de interior que vi na semana passada:
"Falar de mim é fácio. Difício é fazer o que eu faço". E esse cara aí é que deve ser bem feliz.
tanto clichê, deve não serLos Hermanos. O Último Romance.