Aí eu fui pro show de Betânia: meu primeiro dela.
Primeiro eu achei uma falta de respeito essa coisa do vender cadeiras sem numeração, de modo que as pessoas, para pegar um lugar minimamente decente, tiveram que chegar com horas de antecedência.
Depois, o público. Pelamordedeus. Preciso contar da mulher sentada ao meu lado, que achava que, tendo comprado cinco cadeiras, poderia acomodar nelas seis pessoas. Tudo bem, problema dela, mas não com a bunda na minha cadeira. Foi tanto arrumadinho pra arrumar a tropa dela que a besta achou que ocupar um "pouquinho" da minha cadeira era limpeza. Tive que, por três vezes, pedir que ela por favor respeitasse o meu espaço. Fui até muito educada. E sabem como ela me agradeceu? Gritando, O SHOW INTEIRO, "maravilhosa!!! maravilhosa!!!". Sério, ninguém mais aguentava. E eu tive que aguentar durante quase duas horas, no pé do ouvido. Nessas horas eu até queria ser barraqueira.
O show. bem, o show foi legal, mas achei que ela cantou pouca coisa conhecida (fora que era difícil escutá-la nas novas canções com a doida gritando do meu lado). Além disso, era muita água. Vixe. Teve uma hora em que minha irmã virou pra mim e disse que tava se afogando. Todas as músicas eram sobre rio, mar, lago, lagoa, sereia, riacho. Quantas músicas dá pra cantar falando só de água, hein?
Mas relamente a voz e a presença dela impressionam. Eu nem sou fã e fiquei boquiaberta. A mulher comanda o palco mesmo paradinha. E quando ela balança aquelas milhares de pulseiras, provoca uma verdadeira comoção. E como diria um amigo meu da FDR, botando o dorso da mão na testa, "Maria Betânia soooooooofre". Sofre mesmo. E declama poesia de forma magnífica, como se o poema não fosse letra, mas seus próprios pensamento e expressão. Ponto alto do show, os poemas. Os poemas e a cenografia (que palco belíssimo).
Gostei mesmo quando ela cantou uns frevinhos no bis. Deu vontade de ver Chico. Mas o show de Chico, já soube hoje, foi uma piada de péssimo tom.