Magic Talking Looking-Glass
Tuesday, February 13, 2007
 
No Ursula Andress

Olha, eu sempre morri de inveja daquelas mulheres que se sentem pra lá de confortáveis usando um biquini e nada mais. Não estou nem dizendo que elas precisam ter corpos bonitos: minha inveja vem do simples fato de que elas não ficam mortas de vergonha diante do fato de que apenas dois pedacinhos de lycra cobrem sua pele.

Eu nunca me senti bem num biquini. Claro que, com a idade, os complexos adolescentes foram se acabando, e eu não tenho mais vergonha dos defeitinhos naturais decorrentes de a) ser mulher; b) não ter mais 15 anos; e c) não me enterrar diariamente em uma academia de ginástica. Eu deveria, aliás, ter orgulho do meu corpitcho 100% natural, sem nenhuma musculação e/ou intervenção cirúrgica e sem nenhuma gota de silicone em lugar nenhum. What you see is what you get.

Mas o tal do biquini é um saco. Eu sempre acho que está fora do canto, que aperta ali, que achata acolá. Eu me sinto nua, exposta, vulnerável. Não tem jeito de me sentir bonita assim, tão... on display. Deve ser por isso que há anos eu só compro biquinis na mesma loja (a um custo absurdo, diga-se de passagem), acho que na vã tentativa de, com a familiaridade do terreno, pensar que aquela porra diminuta me deixa mais arrumadinha.

Domingo fui lá, e levei minha mãe pra opinar. Não conseguiria comprar nada me olhando nos espelho dentro daquelas cabines horrorosas. Mamãe achou muito bonito o que eu escolhi, disse que me deixava um mulherão. Espero que, com isso, ela não tenha tentado dizer que eu estou gordinha.

Ainda bem que na praia não tem espelho.
 
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A princesa do conto era uma vez.

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