"Por esse pós-freudismo ou transfreudismo compreende-se que todo homem, ao voltar-se para o tempo vivido, procure rejeitar parte dele: matálo, até. Eliminá-lo de sua memória viva. Ou considerá-lo morto. O que nem sempre consegue. Toda memória de homem parece reter, a contragosto, recordações que esse homem vivo preferiria que não o acompanhassem. Preferiria que se conservasse mortas constituindo, com outras recordações semelhantes, uma espécie de tempo verdadeiramente morto. E como tal, inatuante. Pelo menos em confronto com os tmepos vivos e com as memórias atuantes.
(...)
(...) Talvez seja o diário que se segue, em alguns dos seus registros, um tanto tocado dessa espécie de saudade: a de um tempo ainda em fase de estar sendo vivido.
(...) "frequentemente se aliando a outro característico da gente portuguesa, que seria o ´aceitamento resignado da infelicidade´. E uma saudade que inclui ´a saudade do instante que sabemos não poder reter´. Que temos que nos contentar em evocar. Ou em registrar a sensação que nos deu, como instante logo desaparecido como instante singular; e perdido num conjunto plural de instantes."
Gilberto Freyre. Tempo Morto e Outros Tempos. (prefácio do autor).
(obrigada, andré; andava esquecida do quanto eu gosto de ler o velhinho fofinho - que você teve a sorte de conhecer)