Homens que cozinham e homens que não existem.
Agora há pouco eu via um desses reality shows de culinária, e um dos participantes era realmente interessante. Todo bonitão, visivelmente hetero, com aquelas mãos lindas que só cozinheiros e pianistas sabem ter. Isso me fez pensar em como eu acho especialmente sexy o ato de cozinhar. Talvez seja o cuidado na preparação, a vontade de agradar, as pequenas sensibilidades de sentidos... o fato é que um homem que cozinha bem já sai com muitos pontos de vantagem.
Mas alguém aí vai dizer: porra, aline, tu quer um homem que saiba cozinhar bem, trepar bem, discutir arte bem, escolher vinhos, que seja divertido, que te aceite como você é, que te faça carinho, que discuta literatura latinoamericana com paixão, que seja sentimental sabendo ser durão, e que ainda saiba usar uma furadeira pra consertar a sua casa? Sim, eu quero, eu quero isso mesmo.
Sabe o que é pior? O pior é que ele existe, eu sei. Isso estraga tudo. Mas é claro que ele tem todos os defeitos por trás dessas qualidades maravilhosas, e os defeitos... (reticências). Porque não existe o homem perfeito, eu sei. Existem apenas aqueles cujos defeitos não te incomodam tanto, ou aqueles cujas qualidades são especialmente intrigantes para você. É por isso que alguém pode ser tão irritante pra maria, ao mesmo tempo que é tão maravilhoso para amália.
Então eu acho que devo mudar o discurso: não é que não existam homens interessantes no mundo... apaga e rebobina a fita... é que eles existem aos montes. Há um excesso de gente interessante no mundo. Outro dia eu vi na TV um documentário da BBC que falava sobre a profusão, sem precedentes, de beleza humana. Nunca houve tanta gente tão bonita na Terra. Acredito também que nunca, na história da humanidade, tenha havido tanta gente culta, bem humorada, proficiente em tantas áreas.
Ou seja: o problema, no fundo, é muito mais grave!!! O problema é que, no meio de tantos homens maravilhosos, sagazes, lidos e sensíveis, não há, nem jamais poderá haver, nenhum substituto aceitável para o amor simples, natural e irracionalizável. Nem mesmo um cozinheiro lindo de morrer, segurando uma garrafa do meu bordeux predileto. Estamos todos perdidos. Ou não.