Magic Talking Looking-Glass
I hope that someone gets myThe Police. Message in a Bottle.
só pra terminar este ano,
(além dos agradecimentos já expressos na mensagem de natal que alguns de vocês receberam)
eu queria confessar um segredo.
eu queria muito,
muito mesmo,
que alguém me botasse no colo
e cuidasse de mim.
Hora da faxina. Antes do ano terminar, eu quero me livrar de uma porrada de coisas.
Pra matar a sede de sangue
"Nova York, 1921.Se os homens pudessem um dia se recriar ao seu jeito, uns ficando 3/4 órgãos sexuais, outros 9/10 barriga, outros 2/3 cabeça, alguns orelhas enormes para ouvir músicas, uma classe numerosa seria a dos 9/10 coração. Corações enormes espetados nuns gravetos de perna. O bastante para poderem andar e se mostrar. Corações bem encarnados - ou rubros - exibindo-se voluptuosamente nas ruas, nas festas, nas procissões. Escorrendo sangue pelas ruas. Sarapintando tudo do seu sangue fácil. Isto seria evidentemente a delícia de muita gente: ficar só coração. Mas um coração à vista. Nada de camisa nem de paletó por cima desse órgão. Corações lubricamente nus e à vista. Há exibicionistas do coração como há exibicionistas do órgão sexual. Molnar classificou uma vez os exibicionistas do coração seus conhecidos. São parecidíssimos com os exibicionistas do sexo que a ciência estuda e classifica. Os mais numerosos, como os sexuais com a braguilha, como que fingem se esquecer de abotoar a camisa, deixando uma ponta de coração de fora. Escreve Molnar dessa primeira classe de exibicionistas que "agem como por acidente". Deixam, com efeito, o pedaço do coração à vista, pela abertura da camisa; e quando alguém lhes chama a atenção para o faux pas, ficam encarnados, mostram-se incomodados, abotoam depressa a camisa.Outra classe é a dos que põem rouge ou carmim no coração. São indivíduos estes, diz Molnar, que não julgam estar com o coração bastante vermelho. Pelo que estão sempre lhe esfregando rouge por cima. A terceira classe é a que se poderia chamar a dos sem-vergonha do coração. Segundo Molnar, estar sempre a ostentar o coração, à maneira de meninozinhos de um ano ou dois ou três a quem os pais precisam estar a dizer que não levantem o timão até o pescoço quando há gente de fora em casa.Ainda outra classe, na classificação de Molnar: os que, diz eles, brincam de esconder com os corações. Guardam os corações da vista dos outros como se fossem uns grandes pudicos. Mas ficam indignados se os outros não procuram e descobrem logo os corações escondidos.Mas há ainda uns voluptuosos do coração que Molnar não sei como se esqueceu de fixar, e cuja volúpia não se contenta em exibir o coração próprio, mas se estende a procurar ver o dos outros para comparações indiscretas, pedindo aos outros que lhes deixem ver os corações guardados ou escondidos. Como que desabotoam com impertinência paletós e camisas. Como que rasgam às vezes peitilhos de casacos.Os extremistas desta classe devem ser aqueles que assassinam a punhal ou faca de ponta procurando o coração; para gozá-lo ainda vivo nas mãos; não se contentando senão com o coração arrancado do peito como uma goiaba espapaçada de madura."Gilberto Freyre. Tempo Morto e Outros Tempos.
hm, ninguém gostou do meu texto no vacatussa. aparentemente, todo mundo só gosta dos meus textos melosos, talvez porque seja bem verdade que todo mundo se identifica com heartbreak. o único elogio que recebi foi justamente de alguém que mete o pau nos meus textos de amor: tapioca. de resto, foi uma chuva de reclamações.
tá bom, vocês venceram. entendi que vocês gostam quando eu escrevo com o coração na mão (depois tenho que postar um texto de gilberto freyre sobre isso). vou cultivar mais algumas heartbreaks pra fazer subir as taxas de glicose.
minha terapeuta disse que a simbologia psicológica do natal é crescimento, é refletir sobre tudo aquilo que, em nossas vidas, deve nascer e crescer de novo. isso me deixou mais tranquila.
quer dizer que, ao contrário da massacrante obrigação de felicidade que nos é imposta pelos filmes, pelos especiais da tv, pelos cartões, pela propagandas, o natal também envolve certa dose de dor.
então eu desejo que você também tenha um natal bom. não porque vai botar roupa nova e se reunir na mesa com sua família sorridente e perfeita. todo mundo tem um tio meio desajustado, uma mãe problemática ou alguém muito querido que não está lá muito bem de saúde. todo mundo tem olhares atravessados durante o jantar. todo mundo se frustrou um bocado durante esse ano, e teve um outor tanto de alegrias. todo mundo tem direito de achar que seu próprio natal é uma merda, enquanto o dos outros é tirado de um cartão postal.
whatever.que o seu natal feliz seja, isso sim, uma oportunidade. de pensar, de agir, de mudar, de manter, de confessar, de construir, de quebrar. de tudo o que for necessário pra você nascer, crescer, e começar tudo de novo.
um abraço em cada um de vocês.
Texto novo no www.vacatussa.comConfiram e fiquem à vontade pra reclamar.
Nox. Festa da Osklen.
Só mesmo por insistência de Paulinha. Eu pensei "bem, na pior das hipóteses, eu vou conhecer um lugar badalado, pro qual provavelmente eu jamais voltarei".
Cheguei tarde,
bem tarde. Eu
odeio sair tarde pros lugares, por todos os motivos, mas especialmente porque se eu chegar em casa e demorar a sair de novo eu muito provavelmente vou ficar com sono, e vou acabar desistindo. Isso quase aconteceu ontem várias vezes. mas eu fui, e consegui me manter acordada até as 2 da manhã.
O pior é que, chegando lá, o que eu jurava que seria uma tranquilidade (2 da manhã de uma quarta-feira!!) era uma inferno de gente. Uma fila enorme. Se eu estivesse sozinha, teria voltado pra casa na hora. Mas eu estava de carona, e eu era, afinal de contas, a companhia de Paulinha. Eu tinha que ficar.
O lugar é interessantinho, mas o público é estranho. Um povo meio zona sul meio gay meio playba. Mas o povo gay era chato, não o povo gay legal-com-festas-onde-todo-mundo-se-joga. Eu não conhecia ninguém, nem me interessei por conhecer. Tinha frutas nos banheiros; não entendi a proposta. O único lugar agradável era o lounge, de onde eu não quis sair.
Resumindo: pra que uma proposta assim e um lugar tão bem aparelhado, se o público é o mesmo de sempre dos lugares de gente-rica-zona-sul?
Ok. Eu admito que sou chata. Admito que apenas uma dose de vodka não é o suficiente pra passar uma noite assim. Admito que o fator idade pode ter atrapalhado (constatei que, de fato, estou envelhecendo rapidamente). E não vou dizer que não me diverti em alguns momentos. Até que tocou Justin. Mas me senti um peixinho fora d´água, e eu certamente levarei isso em consideração da próxima vez que eu trocar minha noite com Anna Karenina pela noite na balada.
"Por esse pós-freudismo ou transfreudismo compreende-se que todo homem, ao voltar-se para o tempo vivido, procure rejeitar parte dele: matálo, até. Eliminá-lo de sua memória viva. Ou considerá-lo morto. O que nem sempre consegue. Toda memória de homem parece reter, a contragosto, recordações que esse homem vivo preferiria que não o acompanhassem. Preferiria que se conservasse mortas constituindo, com outras recordações semelhantes, uma espécie de tempo verdadeiramente morto. E como tal, inatuante. Pelo menos em confronto com os tmepos vivos e com as memórias atuantes.
(...)
(...) Talvez seja o diário que se segue, em alguns dos seus registros, um tanto tocado dessa espécie de saudade: a de um tempo ainda em fase de estar sendo vivido.
(...) "frequentemente se aliando a outro característico da gente portuguesa, que seria o ´aceitamento resignado da infelicidade´. E uma saudade que inclui ´a saudade do instante que sabemos não poder reter´. Que temos que nos contentar em evocar. Ou em registrar a sensação que nos deu, como instante logo desaparecido como instante singular; e perdido num conjunto plural de instantes."
Gilberto Freyre. Tempo Morto e Outros Tempos. (prefácio do autor).
(obrigada, andré; andava esquecida do quanto eu gosto de ler o velhinho fofinho - que você teve a sorte de conhecer)
Adorei.
http://postsecret.blogspot.com/(PostSecret is an ongoing community art project where people mail in their secrets anonymously on one side of a homemade postcard.)
Travei hoje uma discussão importantíssima: afinal, Shakira é ou não é excessivamente fofinha?
Antes de mais nada, quero reafirmar minha posição de que Shakira é gostosona, é um vulcão e rebola como ninguém. E qualquer pessoa que já tenho me visto dançar sabe que eu não resisto a um bom e velho sacolejo colombiano. Mas, admitamos, ela pesa um pouquinho a mais na balança da farmácia, né não?
Eu sei o que você, homem, deve estar pensando agora: essa magrela tá maluca! a mulher é gostosa pra cacete! isso é coisa de menina de perna fina que não tomou leite com ovomaltine aos 12 anos.
Também sei o que você, mulher, deve estar pensando agora: claro que ela passou do peso! se eu tivesse aquela barriguinha, seria chamada de baleia na rua! (com exagero e tudo).
Isso porque as mulheres sempre se acham gordas, e os homens sempre acham o "excesso" desejável. Shakira é desejável com ou sem excesso, porque ela sabe se mexer, e isso, caros amigos, não tem preço.
Quanto mais velha eu fico, mais eu vejo que tentar agradar o espelho (do outro) é difícil. Eu sempre fui a olívia palito da turma. Hoje eu tô me achando gordinha. Por outro lado, quando eu fico magrinha, sempre tem alguém que pergunta se eu não tô comendo direito. Duvido que um homem seja apresentado a Shakira e responda "muito prazer, mas você não vai à academia?".
Então quer saber? Foda-se o espelho, foda-se o cara que me acha magra e sem bunda, e foda-se também você, que acha que eu poderia perder a barriguinha. Eu vou é rebolar.
Mais um da série: eu adoro os emails que meus amigos me mandam.
PENSAMENTOS ESTÚPIDOS
“Quando se é sereia, aposto que a coisa mais chata é aquele monte de peixes dizendo: uau, que rabão!”•
'Guerra religiosa é um monte de gente se matando pra ver quem tem o amigo imaginário mais bacana.'•
“O amor não é algo que causa uma dor profunda no âmago do seu ser. O nome disso é proctologista. O amor é outra coisa.”•
“O amor não é uma coisa que o faz sair do chão e o transporta para lugares que você nunca viu. O nome disso é avião. O amor é outra coisa.”•
'Se for galinha flambada no conhaque, é cordonbleu. Se for galinha com farofa e cachaça, é candomblé.'•
'Jesus está chegando. O trânsito é que está péssimo.'•
'O coração do sábio está no seu lar, mas sua cabeça está no puteiro.'•
'Se você misturar um artista com um autista vai sair um cara que faz shows bastante intimistas.'•
“O amor não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala. O nome disso é bronquite asmática. O amor é outra coisa.”•
“Uma coisa é não ter saco. Outra, muito diferente, é não ter culhão.”•
“Cuba é o penúltimo bastião comunista do mundo.O último é o Bastião Salgado, fotógrafo”•
'Canibal é o cara que chega no restaurante, olhao cardápio e pede um garçom.'•
'O canibal morde a mão que o alimenta.'•
'Nem tudo que reluz é mico-leão dourado.Macaco-prego com purpurina em cima é quase igual.'•
'Feliz era o Chico Xavier que só escrevia com ghost writer'•
'O amor não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua marca por onde passa. Isso se chama pombo com caganeira. O amor é outra coisa.'•
'Não dá pra ser otimista com o Universo. No início não havia nada. Aí explodiu tudo.'•
'O ruim da necrofilia é que não dá pra reclamar que a mulher é fria.'•
'Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:'Que petulância se chamar de flor! Veja sua peleáspera e a minha, lisa e sedosa. Veja seu cheiro desagradável e meu perfume, sensual e envolvente. Veja seu corpo grosseiro e o meu, delgado e elegante. Eu, sim, sou uma flor!'. E a couve-flor respondeu:'É...mas ninguém te come...'•
'O amor não é uma coisa cinza que lançou uma luz sobre ti, o levou pra ver as estrelas e o trouxe de volta com algo dele dentro de você. Isso se chama alienígena. O amor é outra coisa.'•
I never doubted itWhats for you will not pass you byI never questioned itIt was decided before I asked whyIts all there ever wasAnd its all there ever will beMoloko. Familiar Feeling.
No sólo de pan vive el hombreY no de excusas vivo yo.(já que falei dela ontem)
Shakira (ft. Alejandro Sanz). La Tortura.
Oh you really still expect me to believeEvery single letter I receiveSorry you what a shameful situationSending shivers up and down my spineoh I like to read a murder mysteryI like to know the killer isn't meLove and hate what a beautiful combinationSending shivers make me quiverFeel it sliver up and down my spineErasure. I love to hate you.
Homens que cozinham e homens que não existem.
Agora há pouco eu via um desses reality shows de culinária, e um dos participantes era realmente interessante. Todo bonitão, visivelmente hetero, com aquelas mãos lindas que só cozinheiros e pianistas sabem ter. Isso me fez pensar em como eu acho especialmente sexy o ato de cozinhar. Talvez seja o cuidado na preparação, a vontade de agradar, as pequenas sensibilidades de sentidos... o fato é que um homem que cozinha bem já sai com muitos pontos de vantagem.
Mas alguém aí vai dizer: porra, aline, tu quer um homem que saiba cozinhar bem, trepar bem, discutir arte bem, escolher vinhos, que seja divertido, que te aceite como você é, que te faça carinho, que discuta literatura latinoamericana com paixão, que seja sentimental sabendo ser durão, e que ainda saiba usar uma furadeira pra consertar a sua casa? Sim, eu quero, eu quero isso mesmo.
Sabe o que é pior? O pior é que ele existe, eu sei. Isso estraga tudo. Mas é claro que ele tem todos os defeitos por trás dessas qualidades maravilhosas, e os defeitos... (reticências). Porque não existe o homem perfeito, eu sei. Existem apenas aqueles cujos defeitos não te incomodam tanto, ou aqueles cujas qualidades são especialmente intrigantes para você. É por isso que alguém pode ser tão irritante pra maria, ao mesmo tempo que é tão maravilhoso para amália.
Então eu acho que devo mudar o discurso: não é que não existam homens interessantes no mundo... apaga e rebobina a fita... é que eles existem aos montes. Há um excesso de gente interessante no mundo. Outro dia eu vi na TV um documentário da BBC que falava sobre a profusão, sem precedentes, de beleza humana. Nunca houve tanta gente tão bonita na Terra. Acredito também que nunca, na história da humanidade, tenha havido tanta gente culta, bem humorada, proficiente em tantas áreas.
Ou seja: o problema, no fundo, é muito mais grave!!! O problema é que, no meio de tantos homens maravilhosos, sagazes, lidos e sensíveis, não há, nem jamais poderá haver, nenhum substituto aceitável para o amor simples, natural e irracionalizável. Nem mesmo um cozinheiro lindo de morrer, segurando uma garrafa do meu bordeux predileto. Estamos todos perdidos. Ou não.
Recebi um email de um grande amigo que se queixava das dificuldades do dia-a-dia. Ele falava sobre o quanto era difícil conviver com os problemas no trabalho, o dinheiro, as cobranças, as exigência da noiva e suas próprias exigências. Ele reclamava, enfim, do fato da vida real ser sempre muito mais complicada que a vida que planejamos aos 20 anos.
Essa foi minha resposta: bitching all around.
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Dear,
I know what you mean. I live under the same feeling that life is simply too complicated for me, that i´m somehow unable to cope with the problems everyone else seems to be able to deal with. Maybe we should have been warned that things are never as easy as they seem. (Remember when we were 19 and thought life would be great once we got older?)
But, you see, the thing is: we live under an exhausting demand for excellency. We´re constantly comparing ourselves; to our parents (for when they were our age they had already accomplished much more), to our friends (for one has bought that car, and i haven´t, for the other one has got a baby, and i haven´t), to what we, ourselves, thought we should grow up to be like. It´s all a big disappointment. And it´s freaking exhausting.
Maybe our parents were too good. Maybe it would have been easier to grow up with less opportunities, less love, less ... expectations. Now we´re too spoiled, and we still act like small children who didn´t get what they wanted.
Right now, we´re both overwhelmed by the difficulties of adulthood. We wake up complaining because life´s not how we expected it to be. And, hey!, neither of us has any great problem, such as health issues or threatening basic surviving needs. We live a very comfortable life, and we ought to be grateful! So why the hell do we complain so much???
Remember when we were at the Cape, and we made plans for when we were more independent, when we had the money etc? We should have realised that THAT was the prime. Those moments. Now we have too many bills to pay, too much responsability, too many lives entangled to ours, and we also feel "guilty" because we´re not married, or have children, and we´re not as succesful or live the kind of life we were "supposed to". Freaking exhausting.
So tell Quinn that a wedding party is not at all relevant (though it would be great). Tell yourself that the apartment thing is just the best you can do right now. And try to enjoy these little moments of breathing above the surface.
And, if everything goes wrong, we can always move to Israel and join a Kibbutz (sp?). But, wait, none of us is jewish! Oh, damn, we can always go to Colombia and I´d practice my Shakira routine! ;)
Love, always,
Aline
I want to vanishThis is my fondest wishTo go where I cannot be capturedLaid on a decorated dishElvis Costello. I want to vanish.

dia 07/12.
Só hoje eu me dei conta de que já chegou dezembro. Novamente. Outro dezembro. Pela primeira vez em muitos anos, não armei a árvore de natal no dia 01/12. Simplesmente passou em branco, e eu nem sei por quê. Demorou tanto, esse ano, parecia que nunca iria se acabar. Foi um ano de gotinhas, passinhos e outros diminutivos.
No ano passado, eu fiz uma árvore linda no antigo apartamento. Compramos, Daniel e eu, e fiz vários arranjos de flores secas. Ficou linda, toda cor-de-rosa e dourada.
Esse ano eu armei a minha árvore na casa dos meus pais. A minha, note bem, e não a deles. E fiz um mix nos arranjos: alguns aqui de casa, outros aproveitados da onda cor-de-rosa e dourada do ano passado. Uns pontinhos de vermelho.
Apesar de tudo, foi um ano foda de bom. Bom não; foi um ano importante. Essencial. Tanta coisa eu aprendi que acho difícil vir a acontecer, na minha vida, outro ano tão complexo, com tantas lições de humildade, auto-conhecimento e humanidade, todas tão difíceis de perceber e aceitar. Armando a árvore e arrumando junto com Mari as fitinhas e as estrelas douradas, eu me senti profundamente grata. A Deus, ao mundo, ao universo, ao passado presente futuro, a Mari, a Loulou, a você. E a mim mesma.
E aí eu percebi que eu já tinha ganho meu presente de aniversário pro ano novo: eu encontrei a paz. Ela estava debaixo do meu nariz, como o avozinho de que fala Quintana.
"Vronsky was particularly fortunate in that he had a code of rules which clearly defined what should and should not be done. This code covered a very small circle of conditions, but it was unquestionable, and Vronsky, never going beyond that circle, never for a moment hesitated to do what had to be done. The code categorically determined that though the card-sharper must be paid, the tailor ned not be; that one may not lie to a man, but might to a woman; that one must not deceive anyone, except a husband; that one must not forgive an insult but may insult others, and so on. These rules might be irrational and bad but they were absolute, and in complying with them Vronsky felt at ease and could carry his head high. Only quite lately, in reference to his relations to Anna, had he began to feel that his code did not quite meet all circumstances, and that the future presented doubts and difficulties for which he had no guide principle.
(...)
She was a respectable woman who had givem him her love, and he loved her (...) He would have let his hand be cut off before he would have allowed himself by word or hint to insult her, or fail to show her all the respect that a woman can possibily desire."
Leo Tolstoy. Anna Karenina. Part III, chapter XX.
(eu não largo mais esse livro)
all the beautiful things that i seewhen you´re with meoh my dindiSinatra. Dindi.
(pedi licença ao santo pra ouvir essa música e não chorar)
When I climb the stair and turn the key,Oh, please be there still in love with me.Perry Como (BB). A house is not a home.
Pulse.
Noite de domingo. Filme de terror trash, só com Tomaz.
21:30.
começa o filme.
21:40.
aline: tomaz, o filme é ruim mesmo.
22:00.
tomaz: aline, pensei que estaria disposto a aguentar até o final, mas...
22:20.
aline: tomaz, não tem nem uma hora de filme ainda!!!
22:35.
tomaz: tá vendo, eu disse que na verdade era um filme de zumbi!
22:50.
aline: putz, era ruim mesmo.
23:00.
aline e tomaz discutem a temática zumbi.
23:05.
cantando burt bacharach pra esperar a estréia do próximo terror trash.
Em frente à minha casa, apareceu esta semana um outdoor com os seguintes dizeres:
"Entregue o controle total de sua vida a JESUS - prepare-se ELE está voltando! O fim está próximo, já vem o juízo de Deus"
É isso aí. Alguém gastou tempo e um dinheirão pra botar na rua uma mensagem terrorista. Tive vontade de tirar uma foto.
Passado o choque inicial, e a onda de revolta (como é que se faz o que se faz com o povo ignorante e sofrido que mal tem dinheiro pra comer mas tem que dar o dízimo do pastor?), eu cheguei à conclusão de que esse tipo de idéia é realmente reconfortante. Dá, no meio do caos que é a nossa vida, uma espécie de ordem: se o fim dos tempos está próximo, melhor pra mim, porque: a) se eu for bom, a bíblia diz que eu vou ser salvo e serei feliz, bem mais feliz que nessa miséria de vida que todo mundo leva (relação de causalidade: ser bom e viver de acordo com as regras = paz); e b) todos os meus problemas se acabarão (mors omnia solvit).
Será que o que nos deixa angustiados é justamente essa falta de causalidade da vida moderna? Quando descobri que nem sempre as consequências são o produto direto das causas foi um choque. Fui educada nos moldes cartesianos: "filha, se você estudar direitinho, você vai tirar notas ótimas", "aline, se você se comportar direitinho, todo mundo vai gostar de você", "doutora, se a senhora for responsável e segura, não tem como não ganhar dinheiro".
Aí eu cresci e descobri que isso é tudo balela. Ba-le-la. As relações de causalidade só se aplicam até os seus 18 anos. Depois parece que tudo vira uma grande loteria. Se você estudar, você pode ou não ganhar dinheiro. Se você se comportar, você pode ou não ser feliz. É claro que você trabalha pra diminuir o campo de possibilidades, a fim de direcionar os seus comportamentos à produção de determinado resultado. Mas parece que sempre tem algum anjo safado, como diria Chico, que decreta vielas escuras, que zomba de sua dedicação à perfeição e que depois joga tudo na sua cara dizendo que nessa vida não há garantia infalível pra porra nenhuma.
É tudo uma questão de aposta. E de esperança. Inclusive na hipótese do juízo final.