Dé, acho que Tati Bernardi ouviu nossa conversa sobre emos e CPORs e homens muito educados.
Porra, oráculo, tá vendo que o problema não é só comigo?
Eu vou virar lésbica. A merda é que eu adoro homem de barba.
"Outra opção é uma baladinha sem peruas e playbas. Mas essas outras opções indies quase sempre são GLS, o que dificulta em muito as minhas chances de arrumar, ao menos hoje, um homem que não saiba dançar imitando peixinhos fosforescentes. Socorro. Não, tô com muita preguiça de sair de casa. Homem bem que podia funcionar como um disque-pizza para dias chuvosos. Ex-namorados e ex-casos são perfeitos para serem entregues em casa, fora que dispensam conversas e preliminares, dada a intimidade de outros tempos. Mas tô defasada até nesse quesito. Tirando a grande maioria deles, para quem nem vale a pena ligar porque eram meia-boca sexualmente, a pequena parte que sobra vale menos que o meu dedinho mindinho do pé. E pelo visto vou continuar com o meu dedo mesmo.
E a opção amigos?…Não, não vai dar certo. A última vez que um grande amigo com potencial para me comer me visitou, terminamos a noite chorando por amores do passado e fazendo piadas escatológicas. Amigo não dá, não tem mistério, não tem charme. Existe homem-ombro pra te consolar e existe homem-pinto pra te comer. Lembra da piada “não existe pôr só a cabecinha porque pinto não tem ombro”? É a mais pura verdade. Alguns até se fazem de amigos, mas espera você liberar a periquitinha pra ver o que acontece. Amigo é o cacete! É, o cacete é amigo mesmo. Ai, preciso dar urgente.
Já sei! Vou apelar para meus fãs! Sim, recebo toda semana dezenas de e-mails de fãs homens. Quase sempre leitores da VIP, ou do meu site, ou do Blônicas, da TPM, da Viagem e Turismo. Nessas horas é bom escrever para vários lugares, aumentam as chances de aparecer um leitor bem-apessoado e mal-intencionado. O problema é que 80% dos homens que me escrevem acreditam que, por estarem se comunicando com uma escritora, precisam se mostrar ultra intelectualizados, ultra alfabetizados e ultra prolixos. Como é que eu vou ter vontade de liberar para um cara que me escreve infindáveis 456 linhas que quase sempre começam com: “Vós não imaginais o imensurável prazer trêmulo com o qual este macambúzio leitor vos escreve pulsantes idílios”. Esse cara não faz sexo, faz? Os outros 10% (esses sim, sobretudo leitores da VIP) são o extremo oposto disso, o que também não me interessa. São aqueles ogros irados ao estilo “gatinha molhada, vou colar na sua goma hoje pra gente fazer uma sacaneta”. Pega no meu pau, seu machista analfabeto! Tem ainda uns malucos que odeiam as minhas baixarias e me mandam encontrar o senhor. Que senhor? Esse senhor faz sexo? " (de Tati Bernardi, "a vontade e um dedinho de prosa")