Amanhã eu completarei 27 anos. Como todos os anos, paro pra pensar no que foi o último ano, em termos de acréscimo à minha limitada e irrelevante existência. Todos os anos eu costumo fazer uma listinha (ainda que puramente mental) dos ganhos e perdas, e dos processos em que me vejo como parte.
Este ano não. Este ano eu toco.
Não quero pensar mais sobre o que perdi; está perdido, impossível ser consertado.
Não quero pensar mais sobre o que ganhei; ainda está em um doloroso processo de consolidação.
Não quero pensar mais sobre o que busquei, ou esperei, ou projetei; dei sempre para portas fechadas em longos corredores.
Porra, como foi um ano difícil, viu? Atribulado, cheio de vai-vens, cheio de "e se", cheio de emboscadas, cheio também, por que não, de descobertas. Um ano cheio, e que ficou tão vazio, no fim das contas.
Eu estou cansada. Aos 27 anos, eu já estou cansada, isso não parece absurdo? Eu deveria estar cheia de planos, deveria estar construindo cidades invisíveis, deveria estar profundamente grata pelas maravilhas da minha vida. Mas tudo isso só me deixa ainda mais cansada. E me dá vontade de rezar.
Já sei o que quero ganhar de presente de aniversário: paz. Eu quero paz. Eu quero paz. Eu quero paz. Eu mereço paz.
Eu quero um presente da vida que me faça rir da paz.