Magic Talking Looking-Glass
Thursday, October 05, 2006
 
Quero me pôr a salvo de meus próprios sonhos. Tenho medo, e eles são cruéis.

Sonhei hoje que estava em uma piscina (como frequentemente acontece), com mais duas pessoas. Brincávamos de mergulhar, e, quando eu voltava para respirar, a impressão que eu tinha era que tinha tomado pouco ar antes de voltar para o fundo. Mas é claro que era uma brincadeira, e eu conseguia ficar debaixo d´água sem maiores problemas. E eu ria, e a pessoa comigo ria também, um riso como só nós dois poderíamos rir. Meu cabelo flutuava na água, pelas minhas costas, e era uma genuína sensação de felicidade e leveza (como quando somos crianças e brincamos na piscina do vizinho, sabem como é?).

Vocês dirão que não há nada novo, nem cruel, nem amendrontador nesse sonho, e estarão certos. O estranho é que, no sonho, essas sensações era lembranças de fato verdadeiramente ocorridos. No sonho eu recordava um passado. Quando acordei, passei alguns segundos para entender que tinha sonhado, e que aquilo não eram lembranças reais. Eu nunca estive numa piscina com aquelas pessoas. Aliás, tenho lembranças ruins quando as associo a piscinas.

De onde foi então que minha mente fabricou essas pseudo-lembranças felizes?
O que mais, na minha vida, foi felicidade fabricada?
Quais lembranças eu julgo guardar e que, na realidade, não passam de sonhos incômodos?
 
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A princesa do conto era uma vez.

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