Polanski. Acabei de ver Lua de Fel. Que coisas incríveis esses filmes de Polanski.
Os filmes dele sempre me deixaram incomodada. O Bebê de Rosemary é fantástico: lembro que da primeira vez que vi, a musiquinha do começo já me dava arrepios. Aquele lalala infantil. Não consigo assitir sozinha, e aquela cena do fígado (eu que tenho verdadeira ojeriza a vísceras) é de matar. Outro que me deixou estranha foi Repulsa ao Sexo... Deneuve tão absurdamente linda e perdendo a razão. Verdade que O Último Portal foi decepcionante, mas, ainda assim, foi muito forte na primeira metade. O Pianista é clássico, e também não há quem não se perturbe com a atmosfera de
perda do filme. Talvez o mais fraquinho que eu tenha visto seja O Inquilino.
Mas foi somente com Lua de Fel que eu entendi a razão do incômodo-Polanski. Passei o filme todo sendo assediada por imagens, por lembranças ruins. Como se estivesse cavando feridas, me machucando. E só percebi que aquilo era efeito do filme, e não do meu estado de espírito verdadeiro, quando tive ataques de riso. Gargalhei na terrível cena em que Peter Coyote humilha, em uma festa, uma Emmanuelle Seigner acabada de sofrimento e em frangalhos. É uma cena tristíssima, e eu ri muito. Ri alto. Ri o riso que o incômodo provoca (sabe quando, no cinema, tem uma cena constragedora e as pessoas sentadas atrás de você dão risadinhas?).
Aí eu compreendi: a força de Polanski vem do fato de que ele se sente deveras confortável (quase em seu habitat natural) mostrando o pior e o canto mais escuro da alma humana. Ui. Quero a minha mãe.