Uma das histórias mais contundentes que ouvi, ao menos nos últimos meses - e partir de então ela esteve sempre presente, infiltrando-se por brechas na minha vida - é a parábola do "isso também passará".
Acho que todo mundo já ouviu em algum momento, mesmo que não se dê conta. Lembrei dela vagamente quando minha terapeuta mencionou dia desses a filosofia oriental da impermanência de todas as coisas. Muito bonito, claro, mas na prática a teoria é outra.
Então alguma coisa aconteceu e me deparei com "Gam zeh ya'avor". Descobri que a máxima "this too shall pass", que eu escutara tantas vezes, vem na realidade de uma historinha da tradição judaica sobre o rei Salomão.
Vou tentar resumir: Salomão, para dar uma lição de humildade num determinado ministro, manda-o à missão quixotesca de encontrar um anel mágico (calma, nada a ver com frodo), um anel com o poder de dar felicidade ao homem infeliz que o olhasse, e infelicidade ao homem venturoso. O pobre do ministro vai aos confins e, claro, nada do anel. Até que ele chega a um ancião, pergunta-lhe se conhece tal anel, explica de sua necessidade de levar o artefato ao Rei Salomão, e o velhinho, que era um ourives, diz que pode ajudá-lo. Pega um simples anel de ouro (como uma aliança de casamento), e nele grava uma frase.
O ministro, que já andava devendo ao Rei o tal anel há um tempão, corre parar entregar o presente a seu senhor.
O Rei Salomão, poderoso que só ele, apaga o sorriso de satisfação do rosto ao examinar a aliança(consideremos que ele acreditava estar ensinando humildade ao ministro, que mandara em missão impossível). No anel estava escrito "Gam zeh ya'avor": isso também passará.
This too shall pass. This. That. Except for... well... you know damn well, alec.