Quando Mariana nasceu, chegou logo mostrando que não ia fazer muitas concessões: tive que faltar na aula de dança para vê-la na maternidade.
Quando Mariana foi crescendo, me ensinou logo a lidar com a raiva (coisa que não aprendi muito bem): quebrou minha Barbie.
Quando Mariana passou da oitava série, me exigiu logo humildade: eu nunca seria tão brilhante quanto ela.
Quando Mariana fala, pergunta, ri, reclama, reprova, ela desperta em mim o desejo de ser/não ser: ninguém pode ser tão parecido e tão diferente de mim.
Quando Mariana tá longe, eu morro de saudade.
Quando Mariana voltar, vai me contar histórias incríveis, vai me falar de lugares que eu amo, de outros que nem conheço, e a gente vai passar dias grudadas, permutando roupas e brincando de fazer a outra de boneca.
E Mamãe vai olhar da porta, ver as duas dormindo, e não vai saber distinguir uma da outra.