
Michelangelo Antonioni foi, muito provavelmente, meu cineasta preferido. Seus filmes (ao menos aqueles poucos que eu consegui comprar, baixar, ou pegar na locadora) me tocaram de uma maneira única, como grandes telas pintadas que contam histórias, geralmente de solidão e de incompreensão. São de uma beleza devastadora. Se eu fosse pintora, gostaria de ser Antonioni.
Ele tinha um jeito poético de tornar mulheres seres fora-do-mundo. Quando vi Blow Up, Vanessa Redgrave deixou de ser apenas uma atriz muito bonita e passou a simbolizar, no meu imaginário, a mulher inatingível: séria, fechada, misteriosa, humilhante. Mas humilhação de verdade foi descobrir Monica Vitti: primeiro em "A noite", morena, fatal - o impacto foi menor - depois em "A aventura", loira, descabelada, impulsiva, desesperada e frágil. An accident waiting to happen. Em Antonioni, as mulheres é que representam o silêncio, o vulcão adormecido. Os homens (e olha que ele dirigiu Alain Delon - com Monica Vitti - em O Eclipse! Que casal absurdamente bonito, meu Deus!) são sempre confusos e vazios, nunca sabem o que fazer.
Um dia eu os terei todos em casa. Todos os belos filmes de Michelangelo Antonioni. Os filmes e os posters, e os livros. Porque minha memória e meus parâmetros sobre o belo nunca mais foram os mesmos: o velhinho italiano que morreu aos 94 anos me refinou.
eu tô desconstruindo tudo, mas ainda cabe um recado:
minha resenha sobre o harry potter 7 tá aqui:
http://vacatussa.com/?p=209ps: harry potter é FODA de bom!