Magic Talking Looking-Glass
There's good and bad in everyonePaul Mac & Stevie W. Ebony & Ivory.
Why does it feelThat my mind is constantly tryinTo pull me down?Alicia Keys. Trouble.
mea culpapreciso ler mais, escrever mais e pensar melhor.
como talvez o ler mais leve ao escrever mais, comecei "a emparedada da rua rova", de carneiro vilela, e estou me divertindo muitíssimo com aquele jeito gostoso dos romances que eu lia na oitava série, com frases do tipo "humilhar a prosápia sem nome daquela formosura" e "levava ele o coração a transbordar de fel e vinagre". adoro me escandalizar com o século XIX.
Maria Antonieta, de Sofia.Eu, assim como toda meninamulher incompreendida, mal-interpretada (tem esse hifen aí?) e cheia de minhoca na cabeça, adoro Sofia. Acho que ela tem uma visão muito própria do que pra maioria seria banal e corriqueiro, do que até passaria despercebido. Mas é... talvez seja mesmo um filme "de menina". E daí? A mulher é talentosa, pô, e delicada, e qualquer um que já tenha se sentido deslocado na vida (i.e. qualquer ser humano com mais de três anos de idade) consegue se relacionar com o que ela tem a dizer.
Desnecessário dizer que o filme tem um visual deslumbrante. Achei ótima a idéia recorrente dos doces, porque dá vontade de comer tudo mesmo: as roupas, os sapatos, as cortinas, o cabelo dela. Porque é tudo enfeite açucarado por cima do que realmente importa: o símbolo nu, o rei nu, e o fato, como diria caetano, de que o rei (neste caso, é evidente, a rainha) é muito mais bonito nu.
Quase desci do meu trono.
Aí eu fui pro show de Betânia: meu primeiro dela.
Primeiro eu achei uma falta de respeito essa coisa do vender cadeiras sem numeração, de modo que as pessoas, para pegar um lugar minimamente decente, tiveram que chegar com horas de antecedência.
Depois, o público. Pelamordedeus. Preciso contar da mulher sentada ao meu lado, que achava que, tendo comprado cinco cadeiras, poderia acomodar nelas seis pessoas. Tudo bem, problema dela, mas não com a bunda na minha cadeira. Foi tanto arrumadinho pra arrumar a tropa dela que a besta achou que ocupar um "pouquinho" da minha cadeira era limpeza. Tive que, por três vezes, pedir que ela por favor respeitasse o meu espaço. Fui até muito educada. E sabem como ela me agradeceu? Gritando, O SHOW INTEIRO, "maravilhosa!!! maravilhosa!!!". Sério, ninguém mais aguentava. E eu tive que aguentar durante quase duas horas, no pé do ouvido. Nessas horas eu até queria ser barraqueira.
O show. bem, o show foi legal, mas achei que ela cantou pouca coisa conhecida (fora que era difícil escutá-la nas novas canções com a doida gritando do meu lado). Além disso, era muita água. Vixe. Teve uma hora em que minha irmã virou pra mim e disse que tava se afogando. Todas as músicas eram sobre rio, mar, lago, lagoa, sereia, riacho. Quantas músicas dá pra cantar falando só de água, hein?
Mas relamente a voz e a presença dela impressionam. Eu nem sou fã e fiquei boquiaberta. A mulher comanda o palco mesmo paradinha. E quando ela balança aquelas milhares de pulseiras, provoca uma verdadeira comoção. E como diria um amigo meu da FDR, botando o dorso da mão na testa, "Maria Betânia soooooooofre". Sofre mesmo. E declama poesia de forma magnífica, como se o poema não fosse letra, mas seus próprios pensamento e expressão. Ponto alto do show, os poemas. Os poemas e a cenografia (que palco belíssimo).
Gostei mesmo quando ela cantou uns frevinhos no bis. Deu vontade de ver Chico. Mas o show de Chico, já soube hoje, foi uma piada de péssimo tom.
às vezes eu realmente preciso ficar sozinha, fechada no meu quarto. em silêncio (e isso é raro, por isso aproveitem!). eu não estou triste nem nada disso, eu só preciso armar a minha cerca e me isolar do mundo periodicamente.
quem sabe eu não tiro um tempo e escrevo alguma coisa que preste?
Ah, bruta flor do quererCaetano Veloso. O quereres.
True StoryPasso eu pela rua, e leio os seguintes dizeres numa placa afixada ao muro de uma casa: DAR-SE AULA DE REFORÇO.
Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Ando cheia de idéias pra textos, mas escrever que é bom...
Eu ando é muito preguiçosa, isso sim.
If you treat me fairly ...
Alicia Keys. A woman´s worth.
O que é essa lua enorme aí fora, hein?
ps: perdi o eclipse ontem. porque estava comendo pizza com meu irmão. eita vidinha besta, meu Deus.
And I´ve got my shareSanta Esmeralda. Don´t let me be misunderstood.
Sobre experiências gastroSempre que Albino está em Recife nós todos tentamos ir jantar em um lugar legal, diferente, gourmet, i.e.
caro.
Esta semana Luciana sugeriu o "E", aquele restaurante de cozinha experimental cheio de fric fric. Disse que seria uma experiência, que seria legal de conhecer e tal, que uma vez na vida a gente deveria se dar esses luxos. Pois bem: todo mundo concordando, fomos jantar lá ontem.
O esquema é o seguinte: comida padrão faquir (embora muitíssimo interessante) - ensejando aquela situação básica do "ih, só é isso mesmo?" - a um preço exorbitante. Mas acho que valeu a pena... o lugar é realmente bonito, já posso sair dizendo que comi aquelas esquisitices chiquérrimas e, o que é mais importante, me diverti com meus amigos. Tudo isso a um preço chocante, claro.
Acordei hoje mais pobre e, acreditem, doente. Sério, tô de cama.